Deus: aprecie com moderação (fim)

E há sempre o caso do crente que exulta e se vangloria do fato de que “sua” igreja está “crescendo”:

– Somos, hoje, “tantos” milhões e a previsão para “tal” ano é de que esse número aumente para inacreditáveis “tantos” milhões!!!

Comparadamente, é a mesma alegria (ou esperança) que deveria ter o viciado em crack, por exemplo, ao saber que a quantidade de drogados no país está aumentando. Sim, porque, admitindo-se que esse número cresce de forma vertiginosa, é de se supor que o usuário de crack sonhe com o dia em que poderá fumar seu cachimbo despreocupadamente, já que se todo mundo estiver consumindo sua droga preferida, do policial que cumpre a lei ao deputado que a redige, ele certamente não será mais incomodado. Para o viciado, uma sociedade assim, onde todos seriam dependentes também; onde ele poderia curtir o seu barato de 10 segundos por baforada sem que ninguém viesse lhe encher o saco; onde ele poderia adquirir sua pedra legalmente em qualquer estabelecimento e fumá-la em qualquer lugar, “seria o céu!“.

Para o crente, é a mesmíssima coisa. Um lugar em que ninguém é mentalmente são, é um lugar onde não existe nenhum louco, porque a percepção da loucura só é possível numa mente sã.

Mas eis que você, amigo crente, ainda não está vivendo nesse lugar. E o Barrinhos aqui vai continuar enchendo o vosso saco, feito à imagem e semelhança do saco sagrado do Criador: o que você não quer enxergar é que o número de fiéis está crescendo vertiginosamente porque muita gente esperta há tempos percebeu como é fácil ganhar dinheiro apenas com um altar e umas cadeiras de plástico.

Tudo não passa de uma relação forte, eficaz e rentabilíssima entre o usuário de Deus, eternamente drogado, e as quadrilhas de traficantes, eternamente sedentas por dinheiro. E a demanda pela droga é tão grande, que quando os donos da boca de culto não se entendem quanto à divisão dos lucros, eles nem precisam fazer uma guerra entre suas quadrilhas. Eles apenas se separam, e o dissidente funda uma nova igreja, precisando apenas arcar com o trabalho de marketing para a nova marca.

E a receita é a mesma: esperteza + ganância + talento + cara de pau + fé em Deus = grana. Muita grana.

A ideia de Deus — deixando de fora a coação e o doutrinamento infantil — se sustenta à custa de fantasias, ilusões, enganos, ignorância, medos, carências, mitos e mentiras descaradas. Tudo isso muito bem compartilhado e propagandeado como verdades óbvias, provas absolutas e explicações incontestáveis.

Só pra ficar num exemplo apenas…

Todo dia alguém perde um voo, pelos mais variados motivos. Eu, por exemplo, já perdi uma vez por ter dormido na sala de embarque. Enfim, sempre alguém se atrasa, fica doente, ou preso num engarrafamento. E o avião decola com um a menos. Isso acontece o tempo todo, em todas as partes do mundo e a vida segue normalmente. Entretanto, quando acontece um acidente aéreo sem sobreviventes, aquele passageiro que perdeu o voo, juntamente com todos os outros cristãos dopados que nem ele, vai atribuir tal “milagre” ao seu Deus misericordioso, que impediu que ele embarcasse, salvando sua vida tão preciosa e poupando sua família e amigos de sofrer com a tragédia. Como se todos os outros mortos no acidente não gostassem de viver e não fossem fazer falta a ninguém.

Para mim, particularmente, seria muito mais fácil crer num Deus que permitisse a queda de um avião, se, depois, eu ficasse sabendo, pela Fátima Bernardes, que o cara que perdeu o voo era um crente dos mais devotos, e todos os que morreram, ateus. Se não for o caso — e nunca é — , nós só ficamos com a cretinice de uma religião que, além de ver o mundo do jeito que lhe convém, quer impor essa visão doentia a todo o resto de nós.

O mundo religioso é um embuste, uma farsa. É o efeito de uma droga que te ensinaram a consumir antes mesmo de você aprender a andar.  Sua hóstia consagrada é uma massa de pão; o sangue de Cristo que o padre e o papa bebem no altar é apenas vinho misturado com água; seu livro sagrado é uma coleção de mitos; a imagem de Jesus na sua camiseta, de olhos azuis, ondulados cabelos castanhos-claros, lábios finos, pele branca, e cara de quem acabou de sair de um salão de beleza, é tão inverossímil quanto a entidade que ela representa; seus dogmas são ridículos; suas orações, inúteis.

Se todas essas coisas que as pessoas te disseram que são verdades se revelam mentiras grotescas, você bem que poderia extrapolar o raciocínio e tender a achar que tudo o mais também não passa de uma fraude, e acabar por concluir que o que você consegue na vida por obra e graça do Espírito Santo eu posso conseguir, também, se orar fervorosamente, todas as noites, ao meu ferro de passar roupa.

Mas você não quer pensar assim; você não quer nem pensar nisso. Na verdade, você não quer nem mesmo pensar. Você não consegue sequer imaginar como seria viver fora desse seu mundinho mágico. E nem mesmo tenta. Por quê?

Porque você é um viciado. E Deus é a sua droga.


O efeito placebo

O ser humano é um animal racional, mas a racionalidade tem um preço alto. A consciência da existência limitada, da dor, da morte, é terrível e dura. O medo da morte, principalmente, faz o nosso íntimo gritar: eu quero acreditar! E, assim, surgem os exploradores da fé pública: médiuns, astrólogos, adivinhos, quiromantes, pastores, macumbeiros, tarólogos. Todos dispostos a arrancar-lhe seu dinheiro. E muitos, otários, pagam a taxa da ilusão.
Já vimos que a leitura fria é uma das técnicas que esses embusteiros usam para adivinhar. Veremos agora o mais grave problema: a cura. Quantos não ignoram a medicina para procurar um curandeiro, um xamã, um benzedor, um massagista, um erveiro, um milagreiro, um doutor Fritz? E quantos não acreditam nessa gente? Quem são as vítimas? Na grande maioria, crianças que morrem sem assistência médica decente!
Mas, muitos juram que esses “abençoados” curam. Como é possível? Graças ao efeito placebo. O placebo é uma substância inerte usada para controlar um experimento, ele é dado aos pacientes, pertencente ao grupo de controle, como se fosse o próprio remédio que está sendo testado para provocar um efeito psicológico. Assim, os pacientes não sabem se estão recebendo o remédio ou o placebo, todos acreditam estar recebendo o remédio.
Assim, se um homeopata garante que 60% dos seus pacientes que sofrem de asma são curados com uma planta específica, esse dado nada significa. Por que? Ora, se substituir a substância por placebo, sem que o doente saiba, os mesmos 60% poderão continuar a serem curados. Ou seja, uma pílula de farinha barata pode ser tão eficaz quanto uma planta cara. Além disso, sabemos que a farinha não tem efeito colateral, enquanto as drogas de plantas ou remédios geralmente têm!
Por isso, não é qualquer sabichão que tem conhecimento e experiência para conduzir uma pesquisa séria, controlada e imparcial sobre uma nova forma de tratamento. Aliás, a maioria nem sabe o que é placebo, não sabe o que é matemática estatística, mas são rápidos para arrogar o número de seus curados.
Não se sabe exatamente porque uma substância inerte pode ter um resultado na saúde de uma pessoa, mas sabemos que as crenças e esperanças de uma pessoa sobre um determinado tratamento aliado à sugestibilidade dela produzem um efeito bioquímico. Um pouco de fé não faz mal para ninguém, o problema é o excesso, a dependência.
Acredita-se que o efeito placebo vicie os usuários de práticas não ortodoxas de medicina. Ou seja, os seguidores dos curandeiros tornam-se dependentes de seus remédios e seus rituais, necessitando cada vez mais. Isso talvez explique porque certos milagreiros que tomam 10% de seus fiéis e desviam para suas contas particulares continuem fazendo muito sucesso.
Assim, não se deve acreditar em testemunhos de cura ou de melhora, eles não têm valor científico nem prático. Para que um medicamento ou tratamento ou remédio seja verificado deve ser feito com critério e com um grupo de controle (tomando placebo, sem saber, claro) para confirmar os resultados. Portanto, não desperdice o seu dinheiro nem o seu tempo precioso com práticas não confirmadas pela ciência.
Nenhuma religião ou medicina alternativa reduziu a mortalidade infantil como a ciência, através das vacinas e dos remédios. Então, confie naquela que você tem visto promover progresso na humanidade!

Bebê que não dizia AMÉM

Uma americana que interrompeu a alimentação do filho de 1 ano e 4 meses porque ele deixou de falar “amém” antes das refeições, admitiu a culpa na morte da criança, em Baltimore, no Estado de Maryland.

Ria Ramkissoon, 22 anos, faz parte de um culto chamado 1 Mind Ministries (Ministérios de uma mente, em tradução livre), cuja líder, Queen Antoinnette, havia ordenado em janeiro de 2007, que o bebê não fosse alimentado enquanto não dissesse “amém” antes das refeições. A criança morreu de inanição.

Segundo os promotores do caso, os membros da seita diziam que o bebê estava possuído pelo demônio.

Ria foi condenada a 20 anos de prisão e a cinco de condicional, mas o juiz disse que ela terá a pena reduzida se aceitar testemunhar contra os membros da seita.

O acordo para a redução da pena inclui que ela passará por um programa para se desligar do culto. Segundo os promotores, Ria ainda teria insistido que a Justiça concorde em reduzir sua pena se ela conseguir “ressuscitar o bebê”.

“Isto foi algo que ela insistiu e é um claro indicativo de que ainda é vitima deste culto. E até que se desligue de sua influência, não pensará diferente”, disse o advogado de Ramkissoon, Steven Silverman, em entrevista à uma rede de TV local.

Segundo o jornal local Baltimore Sun, a promotora Julie Drake relatou que depois da morte do bebê, a líder da seita ordenou que ele fosse colocado em um sofá enquanto membros do culto rezavam ajoelhados e a mãe dançava em volta do corpo.

Uma semana após a morte, o corpo da criança foi embalado em um cobertor e transportado com o grupo dentro de uma mala para a Filadélfia.

Segundo os relatos, a mãe teria rezado por mais de um ano ao lado do corpo da criança para que ela ressuscitasse. O corpo foi encontrado em abril de 2008.

O julgamento de Antoinette, 40 anos, e de outros três membros do culto estava marcado para a segunda-feira, mas foi adiado porque eles não têm representantes legais.

“Deus é meu defensor”, teria dito a líder da seita.

Fonte: Terra notícias

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Os males que a Igreja causa em nome de Deus.

Hoje é dia do texto de  Saracura, porém ele me passou o dia mais uma vez para que eu postasse aqui algo de interesse, acredito que esse texto, do médico Drauzio Varella, seja de valia atodos.

Ilustração de Milo Manara

Texto do médico Drauzio Varella.

Aos colegas de Pernambuco responsáveis pelo abortamento na menina de nove anos, quero dar os parabéns. Nossa profissão foi criada para aliviar o sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao interromper a prenhez gemelar numa criança franzina.Apesar da ausência de qualquer gesto de solidariedade por parte de nossas associações, conselhos regionais ou federais, estou certo de que lhes presto esta homenagem em nome de milhares de colegas nossos.Não se deixem abater, é preciso entender as normas da Igreja Católica. Seu compromisso é com a vida depois da morte. Para ela, o sofrimento é purificador: “Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque vosso será o reino dos céus”, não é o que pregam?É uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal. Nosso compromisso profissional é com a vida terrena, o deles, com a eterna. Enquanto nossos pacientes cobram resultados concretos, os fiéis que os seguem precisam antes morrer para ter o direito de fazê-lo.
Podemos acusar a Igreja Católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam dela atitudes incompatíveis com os princípios que a regem desde os tempos da Inquisição.Se os católicos consideram o embrião sagrado, já que a alma se instalaria no instante em que o espermatozoide se esgueira entre os poros da membrana que reveste o óvulo, como podem estranhar que um prelado reaja com agressividade contra a interrupção de uma gravidez, ainda que a vida da mãe estuprada corra perigo extremo?O arcebispo de Olinda e Recife não cometeu nenhum disparate, agiu em obediência estrita ao Código Penal do Direito Canônico: o cânon 1398 prescreve a excomunhão automática em caso de abortamento.Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres que nós, ex-alunos de colégios católicos, testemunhamos?Não há o que reclamar. A política do Vaticano é claríssima: não excomunga estupradores.Em nota à imprensa a respeito do episódio, afirmou Gianfranco Grieco, chefe do Conselho do Vaticano para a Família: “A igreja não pode nunca trair sua posição, que é a de defender a vida, da concepção até seu término natural, mesmo diante de um drama humano tão forte, como o da violência contra uma menina”.Por que não dizer a esse senhor que tal justificativa ofende a inteligência humana: defender a vida da concepção até a morte?
Não seja descarado, senhor Grieco, as cadeias estão lotadas de bandidos cruéis e de assassinos da pior espécie que contam com a complacência piedosa da instituição à qual o senhor pertence.Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada a sua lógica interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embora existam sacerdotes dignos de respeito e admiração, defensores dos anseios das pessoas humildes com as quais convivem, a burocracia hierárquica jamais lhes concederá voz ativa.A esperança de que a instituição um dia adote posturas condizentes com os apelos sociais é vã; a modernização não virá. É ingenuidade esperar por ela.Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.Não por acaso, no presente episódio manifestaram suas opiniões cautelosas apenas o presidente da República e o ministro da Saúde.Os políticos não ousam afrontar a igreja. O poder dos religiosos não é consequência do conforto espiritual oferecido a seus rebanhos nem de filosofias transcendentais sobre os desígnios do céu e da terra, ele deriva da coação exercida sobre os políticos.Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a segui-la, instituição autoritária que é, mobiliza sua força política desproporcional para impor proibições a todos nós.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1403200923.htm
OBS: Acesso a assinantes da folha ou do uol.

Apresentem-se

Bom, acho que isso já foi feito por aqui uma vez, mas hoje este blog sem dúvidas já se tornou uma comunidade, e acho que seria a hora de tomar essa iniciativa novamente.

Acho que seria interessante que vocês, leitores assíduos e também esporádicos, assim como nós autores, se apresentassem para que possamos aumentar o nosso nível de interação e amizade.

Por se apresentar eu quero dizer postar os seguintes dados em um comentário:

  • Nome/Nickname;
  • Cidade e Estado/País onde reside;
  • Endereço de e-mail/orkut;
  • Blog ou Página Pessoal.

Não sei como vocês receberão esta iniciativa, mas não custa nada tentar.

[]’s a todos.

http://despindomitos.blogspot.com

Deus: aprecie com moderação (parte 5)

Como já escrevi antes em De Olhos bem Fechados (18), eu prezo muito os crentes-de-manada, aqueles que vão à missa, compram Bíblias, batizam seus filhos, mas não creem, de fato, em Deus. Eles estão do lado de dentro da religião por não terem conseguido resistir à força do seu próprio grupo social religioso, ou por pura comodidade. E eu gosto muito deles porque, digamos, sendo a religião uma cachaça, eles nunca tomam porre, não dão vexame, não ficam chatos e não são uma ameaça ao resto de nós, como é o bebum criminoso que volta para casa completamente embriagado dirigindo seu carro.

Os crentes-de-manada aproveitam todas as benesses da religião, mas não se vergam completamente a ela. Muitos nem mesmo se dão ao incômodo de dar o dízimo, por exemplo.

Richard Dawkins chama algumas dessas benesses de “lubrificantes sociais”. Uma missa não deixa de ser um encontro social, uma atividade de lazer; um casamento católico idem, sem contar o fato de que todo aquele cerimonial secular dá uma pompa especial ao evento e torna a coisa toda mais séria. E você irá ainda a vários funerais, missas de sétimo dia, batizados; será convidado para a primeira comunhão de sobrinhos, de filhos de amigos; para festejos religiosos, para participar de novenas, de estudos bíblicos, etc.

Todas essas coisas que giram em torno da fé em Deus são eventos que permitem o entrosamento de familiares e da comunidade como um todo.  Eu, como ateu, vejo-me completamente excluído de tais festividades, porque meu cérebro simplesmente não aceita o ambiente. Eu não me suportaria indo a tais reuniões apenas para aproveitar os encontros sociais propiciados pela crença num mito, assim como não iria a encontros dos fãs do seriado Guerra nas Estrelas. Em virtude disso, tenho que aceitar que estou perdendo muitas oportunidades de encontros amorosos (meus pais, por exemplo, conheceram-se num velório), de fazer novos amigos, de conhecer novas pessoas, aumentando o que hoje se chama de rede de marketing pessoal.

Esse crente-de-manada não quis abdicar de tudo isso. O seu intelecto não consegue digerir os mitos e dogmas religiosos, mas também considera uma perda muito grande afastar-se de todo esse burburinho de gente, de todas essas festas restritas a um grupo definido, que irá certamente lhe inserir firmemente no seio da sua comunidade e lhe brindar com um sem-número de oportunidades.

Ele, então, usufrui da religião, mas não deixa que seu cérebro nem sua vida sejam danificados por ela. Ele é um consumidor bastante moderado de produtos religiosos e, pelo menos a maior parte do tempo, age e vive como se Deus não existisse.

Foi graças a ele, ao crente de fim de semana, que a religião católica perdeu grande parte de sua força, o que possibilitou que, finalmente, conseguíssemos sair da Idade Média. Não fosse isso, um bispo qualquer poderia ter atribuído à máquina a vapor uma natureza satânica e condenado seus inventores e usuários às masmorras e calabouços.

Quanto progresso obtido com a simples redução do consumo da droga Deus! Um dia, quem sabe, a humanidade possa gozar a vida livre desse vício ou, pelo menos, possa viver num mundo onde essa cachaça seja sempre apreciada com moderação. Uma forma de lazer despretensiosa, como uma rodinha de bar numa sexta-feira.

Se bem que o happy-hour deles é sempre aos domingos.


NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA:Parte final

Há numerosas percepções teológicas que resultam em cristãos fiéis e sinceros se acharem presos num relacionamento “duplo-vínculo” com Deus. Muitos destes paradoxos consistem no paradoxo “seja espontâneo” já mencionado. Os cristãos que acreditam que “devem ser felizes”, “nunca devem se zangar”, “nunca devem se sentir deprimidos”, “devem amar (num nível de sentimento) Deus e o próximo”, “devem gostar de orar, de estudar a Bíblia, do culto, etc”, e “devem desejar não pecar” (e a lista continua) estão todos encurralados por paradoxos, muito sutis, do tipo “seja espontâneo”. São forçados a produzir sentimentos de natureza inerentemente espontânea. O problema é que as pessoas que procuram sentir-se melhor geralmente ficam mais deprimidas. Quanto mais se esforçam para produzir sentimentos opostos, mais frustradas e deprimidas se tornam. Quando são aconselhados a “procure se alegrar ou se sentir melhor” o paradoxo pragmático é reforçado e elas não apenas sentirão deprimidas, mais ainda, provavelmente se sentirão culpadas por não serem capazes de produzir sentimentos diferentes.

Cristãos que se obrigam a orar quando não o desejam ou que laboriosamente lêem um certo número de páginas da Bíblia ou tentam gostar de um culto que não é agradável podem entender a frustração que o paradoxo “seja espontâneo” causa. Quanto mais se tenta, mais difícil se torna sentir o que não se sente. O dilema é que muitos crentes simplesmente tentam com maior afinco, por que parte da situação “duplo-vínculo” a ameaça de “perdição” para os que abandonam a tentativa.

Muitos crentes conseguem chegar a um sistema teológico prático de pensamento e comportamento que os faz viver bem, mesmo dentro da tensão de ordens aparentemente paradoxais. Muito da teologia cristã é claramente exposto como paradoxal e todos os fieis devem lutar com os mistérios e contradições aparentes de sua fé. Os cristãos aprendem que Deus é completamente soberano e ainda assim a humanidade exerce livre-arbítrio e é um agente de responsabilidade moral. São doutrinados que a salvação é pela graça de Deus apenas, e ainda que a graça é apropriada pela fé e pelas obras (comportamento moral e religioso). O crente deve “morrer para viver”, “ser o último para ser o primeiro”. “levar uma vida sem pecado enquanto revestidos da imperfeição da humanidade” e seguir a Cristo que era “completamente Deus e completamente homem”. Todos os que professam a fé cristã devem conviver com estes e outros tópicos semelhantes e chegar a um sistema de pensamento e comportamento que lhes permita operar dentro destas tensões teológicas. O problema é que qualquer dilema, contradição ou paradoxo teológicos, seja real ou pressentido, tem potencial para se tornar um paradoxo pragmático sério, que poderá contribuir para uma situação “duplo-vínculo” muito problemática. Enquanto muitos cristãos evitam isto por força de sua perspectiva teológica, a habilidade de viver dentro da tensão dos paradoxos, o desejo de questionar o significado e o desígnio dos imperativos teológicos ou a liderança de outros, muitos cristãos ficam enredados numa situação “duplo-vínculo” e podem se encontrar irremediavelmente encurralados. Eles exibirão prolongados períodos de uma neurose cristã induzida. Os sintomas manifestados podem variar desde depressão, ansiedade, senso de culpa excessivo, estresse relacionados com problemas somáticos (extrema tensão muscular, dores de cabeça constante, pressão sangüínea elevada, etc.), até desorientações mais sérias e reações psicóticas. Estes sintomas podem ser o resultado direto do crente estar imobilizado pela posição indefensável da situação “duplo-vínculo”. Aqui, o importante é que os sintomas são produzidos pela situação e não são característica inerente ou falha de caráter do crente. Certos indivíduos podem ter uma predisposição a padrões de sintomas específicos e cada indivíduo terá tolerância diferente para a quantidade de estresse necessária para os tornar sintomáticos, mas a própria condição neurótica é induzida pela situação “duplo-vínculo“.

Desde que o conceito de neurose cristã induzida não foi ainda formalizado aé a publicação deste artigo, nenhum estudo pode ser citado a respeito da prevalência dessa síndrome. Até agora, apenas se pode apelar para a armação teórica compilada, combinada com os dados observados por uma variedade de ministros e conselheiros cristãos. É crença do autor que a incidência das situações teológicas e da neurose cristã induzida é muito alta, mas que os sintomas neuróticos são atribuídos a outras causas (geralmente à personalidade neurótica do crente) e por isso nunca são interpretadas como resultado direto do contexto teológico.

{ o 8° pecado capital }

Aqui, comentando o post Deus: aprecie com moderação (parte 3), o leitor Hagnus postou o vídeo abaixo, do YouTube, o que me fez interromper a série de textos que venho publicando para tecer um breve comentário a respeito.

O  vídeo em questão foi claramente editado, e quem o editou foi desonesto porque, com isso, suprimiu um trecho que poderia ter estragado sua intenção de ridicularizar o renomado cientista.

Note que, aos 28 segundos, Dawkins diz:

“Can you just stop? Ah… I think/corte/” (“Você pode parar? Ah… eu acho/corte/ “).

O que ele disse, mui provavelmente não serviria ao propósito desonesto do crente que, então, editou essa parte. Dawkins poderia ter dito: “Você pode parar? Ah… eu acho que posso elaborar uma boa analogia para você entender…”, ou qualquer outra coisa, mas foi tirada do filme.

Como se isso já não bastasse, o autor do vídeo, sem ter apresentado nenhuma credencial que nos fizesse supor que ele sabia algo sobre biologia, antropologia, zoologia, ou qualquer área correlata com o assunto tratado, tenta ridicularizar a resposta que um cientista deu à pergunta feita.

E baseado em quê? Na sua crença. Baseado na sua vontade de possuir um parentesco com um ser um trilhão de vezes mais poderoso que o Super-Homem, ele faz umas gracinhas sobre a resposta do zoólogo, professor, pesquisador, escritor, palestrante ateu, Richard Dawkins:

“Viu só gente? Somos animais! rsrs”

Ele não quer ser um animal. E aí sonha que não é e ri de quem não sonha junto com ele.

E, por último, tendo Richard Dawkins apresentado uma resposta coerente com a pergunta feita, nada garantiria o tom de chacota do vídeo se não fosse a expressão pensativa que o entrevistado fez antes de responder à repórter.

Como o ateu Richard Dawkins não poderia recorrer a um livro sagrado milenar que contivesse todas as respostas de que precisaria durante sua vida; como ele não sabia de cor uns tantos versículos desse livro que pudessem responder a essa e a uma infinidade de outras perguntas, ele precisou fazer algo que é visto pelo crente como digno de umas boas risadas:

Usar o cérebro para raciocinar.

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Mundo

Certas condições tendem a enclausurar o diálogo numa camisa de força, dificultando enormemente a solução dos problemas!

Atualmente, o avanço da religião parece ser muito mais expressivo do que a sua rejeição!

Confunde-se fanatismo religioso e religiosidade.

Dawkins, por exemplo, reconhece a existência de um tipo de religião decente e contido, mas alega que ele é numericamente irrelevante, diante do fanatismo dominante.

Os ateus  simplesmente estão expressando com clareza as suas opiniões, tomando posição num debate importante e forçando as pessoas a reavaliarem suas convicções. Isso é um bom sinal, pois, por muito tempo na história da humanidade, os ateus tiveram de se manter calados. E agora estão se sentindo à vontade para expressar suas opiniões sem receio de punição. Enquanto nos mantivermos no plano da discussão intelectual esclarecida, teremos todos a oportunidade de nos beneficiar.

Mas simplesmente chegar à conclusão de que a religião é uma forma de fanatismo irracional e se fechar a qualquer possibilidade de discutir o assunto de maneira mais aberta, pode reforçar nesse contexto, o risco que correm os neo-ateístas é o de terem suas críticas ao fundamentalismo religioso apropriadas pelo fundamentalismo americano belicista, por exemplo, que já se arvora em defensor da racionalidade ocidental contra o fanatismo islâmico e não teria escrúpulos em aproveitar-se desse reforço ideológico.

No conflito entre árabes e judeus, que se chegou a uma situação em que todos perdem, enquanto continuarem agindo como estão. E isso talvez nos fornecesse alguma pista prática para resolver o mais importante conflito contemporâneo, que não é aquele entre os fanáticos religiosos e os ateus iluministas, mas aquele entre o fundamentalismo islâmico terrorista e o fundamentalismo americano belicista. O primeiro encontra no fanatismo religioso suicida a única resposta à humilhação que sofre sistematicamente da civilização ocidental, representada pelos Estados Unidos da América. O segundo encontra na guerra preventiva e unilateral, sem apoio da ONU, a única resposta aos atentados que vem sofrendo. E a verdade é que não há diálogo. Ninguém se preocupa em compreender o que está se passando com o adversário, para tentar uma mudança significativa de estratégia.

Mas a postura adotada pelos neo-ateístas envolve pelo menos duas dificuldades.

Em primeiro lugar, apesar da boa intenção de combater o fundamentalismo em todas as suas formas, eles acabam confundindo fanatismo religioso com religião. O fanatismo religioso é um problema grave que todas as épocas históricas tiveram de enfrentar. Muita incompreensão e violência resultaram dele. Mas ele não se identifica com a religião ou com a religiosidade, entendida como a experiência íntima de contato com uma realidade superior. Essa experiência foi a marca característica de muitos gênios que contribuíram de um modo ou de outro para o melhor conhecimento de nós mesmos enquanto seres humanos. De um modo geral, todos ou quase todos eles tiveram suas criações originais influenciadas ou baseadas em alguma vivência religiosa.

Porém sugere que façamos essa reavaliação através de uma conversação democrática e sem coerções, mantendo sempre em mente a precariedade e a contingência  de um mundo em que somos constantemente levados a reavaliar nossas crenças em função das mudanças de circunstâncias. É certo que o debate está lançado no domínio público da conversação da humanidade e o que temos a fazer é tentar extrair o melhor dessa situação, sem acusações desnecessárias de fundamentalismo e com abertura de espírito suficiente para que a discussão possa ser levada a bom termo. Nada como uma atitude sadia de diálogo crítico, em que as partes envolvidas possam apresentar, sem coerções, suas opiniões a respeito de um tema tão importante como esse para o conhecimento de nós mesmos.

Ser Humano, animal em

Arte de Mark Ryden

*O DARWINISMO fala da espécie. Se 70% da população resolvesse não ter filho então ela não estaria adaptada, mas como a maioria tem, então, alguns podem ter o luxo de dizer que não vão ter.

A idéia é a seguinte: se você não consegue chegar à idade da reprodução, não garante a permanência do material genético para frente.

Becker, sem dúvida, disse que aquele conseguiu esquecer o principal.

Nós não conseguimos matar um bicho com os dentes, nem conseguimos voar, nem produzimos venenos, a gente não ouve bem, não enxerga bem, tudo o que você consegue é pensar, compreender o mundo, e justamente essa consciência, esse movimento, essa visão com que você VEJA essa percepção que leva a você ao pânico, você consegue enxergar lá na frente que você não vai dar certo. Está vendo o medo ancestral. Mesmo assim a gente consegue viver bem.

Você não para tudo e pensa: eu sou mortal, eu posso morrer a qualquer momento. Se isso acontece, é porque essa estrutura esta embutida na sua adaptaçao e te afoga.

Esse animal amendrotado que esta dentro de nós, é o ser humano que carrega esse predador (quem é este predador? É o que tem mais consciência do que devia.) dentro de nós, sempre lutando com relação, e fazendo acordos, e quando você consegue viver relativamente bem, você consegue levar essa consciência negociando internamente. Você nasce pequeno. Você não sabe que esta acontecendo uma série de coisas, mas as questões essências que vem acontecendo você continua sem saber, então nesse processo, seria possível falar sobre um tipo de cura, para consciência. Dentro da humanidade, existe cura para consciência, não é à toa que grande parte da nossa consciência humana é buscar algum tipo de negociação que não é ter consciência.

Morte-Becker.// ** diz: ‘’ A cultura nega a morte totalmente. O retorno é mais violento.

O retorno do recalcado é mais violento. Quanto maior você tenta negar a experiência do fracasso, maior é o sofrimento…

Resultado: o ser humano tem que fugir de si mesmo assim como o lobo uiva pra lua, é um automatismo o tempo todo. O ser humano tem que fugir de si mesmo que para isso ele não pense…

O que seria um a consciência pura verdadeira?

A condição do ser humano é de um naufrago. Você só cresce e só vira gente, quando você toma consciência que você já perdeu. Você esta perdido, se você não tem essa consciência que esta no mundo.

O naufrago não esta morto, mas ele sabe que é um desastre que não tem como sair dessa situação. E não tem como fugir.

O que é o naufrágio?

Quando você pode falar de cura? Como você enfrenta? Você só começa a sair do buraco, quando você percebe que a existência é um naufrágio, enquanto você não percebe você não tomou consciência…

A cura começa quando essa experiencia do naufrágio se instala.

Nunca vamos deixar de ter medo.

Medo não é só objeto. Nossas experiências, não são só de objetos, o medo é uma forma da CONSCIÊNCIA (teoria Becker), e um forma de você ser consciente, de você se relacionar com o ambiente…  Só um louco não teria esse medo. A possibilidade de não ter medo é difícil…

A coragem não é uma coisa que existe onde existe medo, ela existe ao lado do medo.

Tem um filme: cruz de ferro.

Conclusão: fato inexorável é ter medo. O problema NÃO é esse, mas é continuar… O universo não foi feito para ser seu berço. Você continua naufragado.

P.S: O naufrágio é o contrario da mentira.

A mentira  e uma coisa que você inventa.

Mentira esta embutida, na sua vida, é um jogo… E  ávida vai se dando…

E por isso que na realidade a gente admira os heróis.

Quando em cada minuto da sua vida outro fracassaria, e você não…

Por mais mentiroso que sejamos todo mundo sabe quando alguém esta sendo corajoso.

Se você não fala é por causa do seu ego…

O que caracteriza o herói narcisista? Aquele que tem um ego tão fraco, que depende do olhar do outro, o tempo todo. Onde está o medo ai? Que você não seja visto, reconhecido o tempo todo.

Não seja visto, não seja amado… Quanto mais você esta jogado nessa estrutura narcisista mais condenado esta.

O heroísmo depende da capacidade de viver independente de qualquer outro a ser aplaudido.

Não precisamos de Cristos como heróis, não precisamos ser inconscientes de nossa realidade para fugir do medo, e nem precisamos nos achar especiais para arrumar histórias. Só precisamos viver.


O valor das mulheres segundo a Bíblia

Uma bela coletânea extraída diretamente da Palavra do Senhor!

Colossenses 3,18: Mulheres, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor.

Coríntios 11,3: A cabeça do homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem e a cabeça de Cristo é Deus.

Coríntios 11,9: O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem.

Coríntios 14, 34-35: Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, como se faz em todas as igrejas dos cristãos, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz também a lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos em casa;

Coríntios 14,33-35: Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja .

Deuteronômio 22, 13-15: Se um homem se casa com uma mulher e começa a detestá-la depois de ter tido relações com ela, acusando-a de atos vergonhosos e difamando-a publicamente, dizendo: ‘Casei-me com esta mulher mas, quando me aproximei dela, descobri que não era virgem, o pai e a mãe da jovem pegarão a prova da virgindade dela e levarão a prova aos anciãos da cidade para que julguem o caso.

Deuteronômio 22,20-21: Se uma jovem é dada por esposa a um homem e este descobre que ela não é virgem, então será levada para a entrada da casa de seu pai e a apedrejarão até a morte.

Deuteronômio 24, 1: Quando um homem se casa com uma mulher e consuma o matrimônio, se depois ele não gostar mais dela, por ter visto nela alguma coisa inconveniente, escreva para ela um documento de divórcio e o entregue a ela, deixando-a sair de casa em liberdade.

Eclesiástico 25, 24: Foi pela mulher que começou o pecado, e é por culpa dela que todos morremos.

Eclesiástico 42, 14: É melhor a maldade do homem do que a bondade da mulher: a mulher cobre de vergonha e chega a expor ao insulto.

Eclesiástico 9, 2: Não se entregue a uma mulher, para que ela não o domine.

Efésios 5,22-24: Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos.

Gênesis 3,16: Deus disse à mulher: ‘Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará’.

Levítico 12,2-8: Se uma mulher der à luz um menino ela ficará impura por sete dias. Mas se nascer uma menina, então ficará impura por duas semanas.

Levítico 15,18-33: Quando um homem e uma mulher se unirem com emissão de sêmen, se banharão e ficarão impuros até a tarde. Se uma mulher menstruar, ficará impura até sete dias após o término do fluxo, sendo que tudo o que ela tocar ficará impuro até a tarde. Se alguém tentar tocá-la ou tocar em um móvel deixado impuro por ela, ficará impuro até a tarde. Quem se juntar a ela durante este período ficará impuro por sete dias.

Pedro 3,1: As mulheres tem de ser submissas aos vossos maridos.

Pedro 3,7: Os maridos devem permitir que as suas mulheres, que são de um sexo mais frágil, possam orar.

Timóteo 2,11-13: A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva.

Quem quiser conferir, e contextualizar, pode acessar uma versão online:

www.bibliadocetico.net

www.bibliaonline.com.br

www.bibliacomentada.org

http://despindomitos.blogspot.com

Deus: aprecie com moderação (parte 4)

O crente católico finge que a hóstia que ele põe na boca não é apenas uma massinha de pão; o papa finge que o vinho aguado que ele bebe no altar não continua sendo vinho depois de consagrado como o sangue de Cristo; o padre finge que aquela frase que ele diz nos casamentos — “o que Deus une, o homem não separa” – não é apenas um enfeite para a cerimônia, porque os advogados têm quase tanto trabalho para separar casais quanto Deus tem para unir; os cristãos fingem que suas orações não são inúteis, e eles só propagandeiam que oraram pedindo alguma coisa quando são “atendidos”; quando não são, eles nem tocam no assunto…

Enfim, é um mundo feito de enganação, e o crente precisa se drogar semanalmente, quando não diariamente, para se manter nele, do mesmo modo que o alcoólatra precisa continuar bebendo para não voltar à triste realidade da qual ele parece querer escapar.

Eu não gosto de ficar ao lado de bêbados e imagino que eles também não se sintam à vontade ao lado de gente sóbria. Daí a necessidade da chamada “evangelização”: se todo mundo estiver dopado, tanto melhor, porque, assim, os crentes não precisarão mais se preocupar com os não viciados lhes enchendo o saco, além do fato inegável de que a própria fé é reforçada pela crença dos outros. É um sistema autoalimentado e autoprotegido em que se algum neurônio se rebelar pensando algo do tipo: “Isso me parece absurdo”, todos os outros, dentro da mesma cabeça, poderão gritar enraivecidos: “Tá bom, gênio! Só você tá certo!”.

A crença em Deus é apenas a condição de ser “honestamente desonesto” consigo mesmo e com os outros. É fingir tanto e por tanto tempo até conseguir enganar-se a si próprio.

No livro “Autoengano” (agora sem hífen), de Eduardo Giannetti, lê-se o seguinte:

“O enganador autoenganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista. (…) Para que sua mente não seja lida e decifrada pelos demais — para que ela não escorregue em lapsos ou se entregue nas entrelinhas, com todas as consequências danosas que isso acarretaria — o enganador embarca em suas próprias mentiras, deixa-se levar de modo gradual e crescente por elas e, enfim, passa a acreditar nelas com toda a inocência e boa-fé deste mundo.”

E ainda no prefácio, o autor já chama a atenção para o perigo de uma ilusão visceralmente tomada como realidade:

“Pior que o simples desconhecimento, contudo, é a ignorância potenciada de uma falsa certeza — o acreditar convicto de quem está seguro de que sabe o que desconhece.”

Quando atinge esse estágio, o vício é praticamente irreversível e o viciado em Deus não percebe sua condição de dependente psicossomático. Não percebe que está dopado. E, pior, não quer “estar” dopado.

Assim sendo, a maior ameaça para ele é justamente o ateu, o descrente, o sóbrio. Aquele que quer “cortar o seu barato”, que quer trazê-lo para essa realidade da qual ele, desesperadamente, parece querer escapar.


NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA: Parte 2

SITUAÇÃO “DUPLO-VÍNCULO” E NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA

Espero que haja base suficiente para que se possa descrever uma situação “duplo-vínculo” potencial. A situação que será sugerida pode ser entendida melhor pelo exame das exigências que ela apresenta.

O Relacionamento

Primeiramente, parece claro que uma das mais intensas (senão a mais intensa) relação de sobrevivência é o relacionamento entre o crente e Deus. Este relacionamento é definido teologicamente como o mais crucial e o mais importante na vida de qualquer ser humano. O valor de sobrevivência deste relacionamento vai além dos componentes físicos e emocionais. A salvação ou a perdição eternas são conseqüências deste relacionamento do cristão com Deus. Ele preenche completamente a primeira exigência da situação “duplo-vínculo”.

A Mensagem

A segunda exigência é que, dentro do contexto de um relacionamento intenso, uma ordem paradoxal seja dada de tal forma, que pode ser obedecida apenas quando desobedecida e vice-versa. É claro que muitos cristãos percebem ou crêem que Deus os está mandando fazer coisas que são realmente paradoxais. Isto não significa que Deus chame os crentes para fazer o que é impossível, mas significa que muitos crentes sentem que Deus os está instruindo para seguir certos imperativos que os colocam em paradoxos pragmáticos. Talvez o melhor exemplo disso seja a noção de dar a Deus o controle da vida. Para que um indivíduo entregue o controle, ele deve exercer controle e conseqüentemente estar no controle. Os cristãos que exercem controle para dar a Deus o controle estão presos num paradoxo pragmático onde estão perdidos (literalmente danados) se obedecerem (estar no controle para entregarem o controle) e perdidos (danados) se não obedecerem (estar no controle para não dar a Deus o controle). Isto será semelhante a um marido dominante que diz à sua esposa passiva que ele deseja que ela seja mais dominante. Enquanto ele dita a ela o que ela deve ser, ele continua a dominar. Os esforços dela para ser mais dominante são realmente uma resposta passiva, se ela assim age apenas para obedecer ao marido.

A Comunicação

A noção de dar o controle da vida a Deus é um exemplo de muitos paradoxos pragmáticos que podem encurralar os crentes. Se um cristão é apanhado em tal paradoxo pragmático, crendo que Deus está ordenando o impossível, a situação torna-se completa se o crente é incapaz de recuar ou metacomunicar a respeito de tal situação. Isto, naturalmente, acontece com freqüência por causa da intensidade e do valor de sobrevivência do relacionamento do individuo com Deus, é completamente proibitivo desistir e não agir de acordo com a ordem estabelecida. É também proibitivo questionar as ordens de Deus (metacomunicar). Este é o dilema de uma verdadeira situação “duplo-vínculo”. No caso dos cristãos que crêem que Deus deseja que eles lhe concedam o controle pode-se notar o potencial de uma situação impossível. Se tentam obedecer à ordem estarão fatalmente desobedecendo, por força do paradoxo pragmático envolvido. Se tentam sair da situação estarão diretamente desobedecendo a uma ordem que lhes foi dada. Finalmente, se questionam a legitimidade da ordem questionam realmente a Palavra de Deus, o que constitui uma audácia, além de uma apostasia. Novamente estarão “perdidos” se obedecerem, “perdidos” se desobedecerem e “perdidos” se tentarem comentar a natureza do paradoxo.

Deus: aprecie com moderação (parte 3)


O cristão tem sempre a resposta certa pra tudo. Pelo menos é o que ele acha. E, então, ele “se acha”.

Quando o assunto é a Bíblia, ele sabe quando um versículo tem que ser tomado ao pé da letra e quando tem que ser reinterpretado; sabe quando um texto bíblico ainda está válido para os nossos dias ou se só serviu para a época em que foi escrito; sabe quando um trecho contém a exata palavra de Deus e quando foi indevidamente misturado às idiossincrasias do autor terreno que o escreveu, ou às peculiaridades e influências do seu próprio tempo; sabe quando “a Palavra” está mesmo escrita no texto e quando está só nas entrelinhas; sabe diferenciar um relato bíblico “real” de um “alegórico”; sabe até quando Deus mandou escrever uma coisa e quis dizer outra.

Quando o assunto é Deus, ele sabe o que Deus quer, o que não quer, do que gosta, do que não gosta, o que vai fazer, o que não vai fazer, o que fez e o que queria ter feito. Ele sabe mais sobre Deus, suas intenções, desejos e planos, do que sobre qualquer outra pessoa que more com ele debaixo do mesmo teto.

E quando o assunto é manter Deus vivo e “se bulindo”, ele se supera, pois é dono de um legado de milênios de prática. Para isso, entretanto, ele precisa assinar antes um atestado que diz que ele não é um completo imbecil, nem um doente mental, mas apenas uma pessoa intelectualmente desonesta.

A coisa toda funciona assim: o que calhar, atribui-se a Deus; o que não calhar, atribui-se ao Diabo e ao livre-arbítrio da humanidade.

Ah! o livre-arbítrio!

É essa a “desculpa-mor”; a mais fácil de dar, a mais eficaz para convencer quem quer ser convencido e a mais econômica em termos de massa cinzenta, porque, para acreditar em Deus, você precisa se acostumar a não dar muito trabalho para essa parte do seu cérebro.

No caso Alanis, por exemplo, o crente salva a pele de Deus apenas com a desculpa perfunctória de que o estuprador tinha o livre-arbítrio para fazer o que bem lhe desse na telha: Deus não se meteria. Isso responde tudo, né não? Entretanto, a aparente resposta perfeita depõe fortemente contra um suposto Deus que atende a orações, uma vez que, para atender às súplicas de toda uma comunidade para que a menina fosse encontrada sã e salva, Deus teria que interferir no livre-arbítrio do marginal que a sequestrou no intuito de estuprá-la e matá-la.

No fim das contas, o crente quer convencer todo mundo de que Deus não pode ser responsabilizado pelo mal praticado pelo ser humano, pois ele mesmo autorizou a cada um de nós fazer o que bem quiser.

Mas o crente não deixa de atribuir a Deus algo de bom que acontece, quando as chances eram de acontecer algo muito ruim. Por exemplo, se dois policiais tivessem interceptado o assassino de Alanis enquanto ele ainda a carregava nos braços em direção ao matagal onde ela foi encontrada morta, o crente daria graças ao seu Deus pelo ocorrido, talvez com a justificativa de que ele teria mantido a regra de não interferir no livre-arbítrio do criminoso, tendo apenas dado um jeitinho dos dois policiais estarem no lugar certo e na hora certa para evitar o crime, o que transformaria todos nós em peões, cavalos e bispos de um enorme jogo de xadrez.

E aí ficamos com isso: se Alanis tivesse sido salva pelos policiais, Deus seria aclamado como sendo o Deus bonzinho e misericordioso que atende a preces; como não foi o caso, Deus, então, é o Deus que não interfere no livre-arbítrio do ser humano.

E um leitor me escreveu um comentário num dos textos dessa série que serve excepcionalmente bem para exemplificar a extensão do dano que o consumo prolongado da droga Deus causa ao cérebro do crente:

Se creio que Ele é quem permite todas as coisas, devo confiar n’Ele que tudo que acontece é justo. E como Ele é perfeito e eu não, certamente tentar julgar o que Deus deveria ou não [fazer] é, no mínimo, burrice da minha parte.

O que eu acho que seja não burrice, mas a quintessência da imbecilidade é abdicar da própria inteligência e capacidade de discernimento, menosprezar os próprios valores morais e parâmetros de julgamento, ignorar os mais inequívocos pilares do bom-senso, rejeitar o que pode haver de mais belo e poderoso na mente humana, aquilo que nos trouxe até aqui e que nos levará ainda mais longe, que é a sua capacidade de raciocinar, apenas para poder continuar fingindo que um personagem de um livro é real.


SER humano,animal em

Por que o ser humano seria um animal em ruinas!

Imagine,

imagine que você esta numa nave, e você é capaz de viajar pelo universo inteiro.

Tudo bem que ele é infinito, mas você viaja na velocidade da luz ao quadrado, você passeia por tudo que existe …

Você vê umas estrelas, muita escuridão, muito vazio, umas pedras vagando, imaginou?

E pela extensão absoluta do tempo, você vaga nesse universo, sozinho, pra sempre enquanto existir, agora imagine você no universo, só você, vagando no infinito durante todo tempo absoluto que você tiver, você vaga nesse universo pra sempre enquanto você existir, esta lá nessa nave, nesse lugar.

Agora, imagine que só  exista você, vagando durante tanto tempo, com ninguém para conversar, ninguém para dizer porque as pedras estão ali, esse lugar que esta  só você, imagine que é o lugar onde esta a humanidade, agora.

Por um instante tudo bem, talvez um cara esteja também, perdido, em outra rota, tão perdido quanto, mas bem, longe. Mas isso não muda.

Mas nesse instante eu quero que você tenha esse ‘’ lócus ’’; esse lugar.

Agora, outro lugar. Que eu gostaria que pensasse:

Focalize o planeta terra, imagine uma cena, você vai fechando a câmera,

Costa da áfrica!

Você vê um grupo de humanos, vagando pela costa, um calor muito grande, e você andando com esse grupo. Imagine uma criança chorando, berrando. Estendendo a mão pra cima, tentando segurar  a mão de uma menina que esta do lado, que ninguém sabe quem é direito. E que a menina segura essa criança meio por inércia e vai caminhando e enquanto ela, caminha sem perceber, pisa na cabeça de um velho, que caiu ali há poucos minutos atrás, e essa menina se abaixa, põe a mão na areia em algo que se move, e põe a mão na boca, que não sabe o que é, imagine você que esta olhando a cena, que deva ser uma espécie de verme, sei lá… ‘’Para você que esta olhando’’. E ela come, do lado dela, tem um homem, mais velho que ela, andando junto. Olhando pra cima, para os  lados, morrendo de medo, alucinado, achando que ouvem vozes, ruídos, bichos pra todos os lados, também com fome e sede. Do lado dele, tem uma mulher, com um feto ,que não se meche mais, e  ela sente dor, ela cai, ela olha pra cima e lá de cima, tem uma espécie de criador, cego olhando pra ela com olhos vermelhos, injetados, de sangue,   e esses são nossos patriarcas e delas que nos descendemos.

Se esses nossos patriarcas verdadeiros claro que estou descrevendo pela teoria darwinista,

Se eles estão sobrevivendo pela costa,   vagando e porque são bem sucedidos,

E cada vez que você tem um grupo  acuado, uma espécie, indivíduos de uma espécie batalhando pra sobreviver num universo agressivo como nosso, extremamente, nesse momento a teoria da seleção natural esta operando no clímax dela. O mecanismo nesse momento esta operando.

Quanto mais o meio ambiente persegue, mais você consegue se reproduzir consegue sobreviver, quanto mais você luta, melhor você é, mais adaptado esta.

Essa duas imagens:

Uma fala da busca de companhia, de sentido no universo.

E ao mesmo tempo, uma imagem, vagando, qualquer lugar, imagine, um de nos, imagine você num mundo que pode ser comido a qualquer momento.

Significa que uma das experiências mais marcantes que nos deve ter tido  é que fazemos parte da cadeia alimentar, a cultura é inteiramente, construída em cima dessa possibilidade que a gente  NÃO SAIBA DISSO, NÃO LEMBRE DISSO, e isso é muito sério.

Becker fala de mentira caracteriologica. A idéia básica dele e inspirada no Freud, e no alto ranking e no conselho de autorepreensão então  diz:

‘’Olha a gente deve gastar energias psíquicas monstruosas ,para conseguir viver a cada dia, sem estar atormentado que a consciência que temos que a qualquer momento pode dar errado. Deve operar no fundo do nosso psiquismo, e devemos manter, a estrutura funcionando. Pra garantir que a consciência não venha à tona, que a demanda de sobrevivência a que venha você não terá, provável que você não vai conseguir fazer frente a essa demanda de sobrevivência você vai ficar em  pânico. ‘’

E falando sobre aquela imagem na costa da áfrica, sobre nossos patriarcas, esse pânico deve estar embutido em nossa experiência de adaptação, quem conseguiu mentir melhor sobreviveu, quem ficou paralisado diante do inexorável terror da existência não conseguiu reproduzir, ficou lá em pânico.

Continou  na próxima Sexta*

Um Sociólogo: “Diário de Pernambuco”,

Ainda Bem que o Ateísmo se mantém nas classes “pensantes”. ´Basta Ler este editorial publicado no Diário de Pernambuco em 14/01/2010, pelo Sociólogo Roberto Martins, com quem mantive conversas esclarecedoras, cuja idéias expostas de forma amena, mas sóbria e serena, nos abre a mente sobre a hipocrisia religiosa diante das conquistas humanas. Revela  o texto a  necessidade da separação de religião e sociedade, restingindo aquela aos seus templos. Vejamos:

Limites para as Religiões

Tenho a opinião de que estamos atrasados em reavaliar certas atitudes relativas à noção mais geral do que – já faz algum bom tempo – chamamos de tolerância religiosa.

Devo esclarecer logo que não é pretendido aqui pregar a intolerância, seja a religiosa, nem qualquer outra manisfestação que implique a convivência social, que todos esperamos seja harmoniosa e pacífica entre pessoas, grupos e nações. É fundamental que esta minha posição fique bem clara, e que este início deste artigo não arrepie de imediato quem me lê. Faço em seguida, uma digressão: não aceito nada bem o termo tolerância, que conota no meu entender, algo de hipocrisia, escondendo sentimentos autênticos. Precisamos descobrir outro termo que não nos obrigue a pensar em complacência, aceitação fingida. Não vou aqui resolver este meu mal-estar com o termo intolerância. Esta questão tem muito a ver com o assunto deste artigo, mas não é conveniente gerar distrações do meu tema central neste artigo.

Exacerbam-se atualmente muitas intromissões por parte de todas as religiões, credos, crenças e seitas, nas vidas das sociedades e da pessoas. Da perspectiva de qualquer paradigma das ciências sociais, já é estabelecido que um dos principais indicadores de desenvolvimento humano, é a laicização do Estado, da escola, e de outras instituições, como também das mais sutis relações humanas, mesmo daquelas menos formais e ritualizadas. Laicizar quer dizer ficar livre de influências religiosas e eclesiásticas. As religiões não podem e nem devem se projetar nas sociedades, e muito menos procurar “formatá-las”. Não podemos viver bem se nos apegarmos a dogmas, a cânones e a ideologias transcedentalistas.Religião é religião, ciência é ciência, já é antigo costume afirmar isto. Boa parte da humanidade já adquiriu bastante conhecimento para se pautar por outros valores e outros critérios que não sejam aqueles das religiões. A chamada “obediência” à fé” deve ficar restrita a uma essência que seja puramente o âmbito religioso, se é palusível e possível se argumentar nestes termos. Sei que há relações humanas que são puramente um resultado e uma construção do histórico concreto, que são realizações sociais, e que dependem delas. Mesmo o mundo natural está hoje em dia tão dependente dos sistemas políticos, econômicos e sociais, que sobra cada vez menos espaço onde se possa encontrar a natureza “natural”. Fechando a argumentação na realidade sócio-política, vou dar um exemplo que trata da separação do Estado e da Igreja Católica no Brasil. O ditador-presidente Ernesto Geisel era luterano.Talvez por isso mesmo, e sendo presidente em uma época de ditadura, aprovou o divórcio, que passou a existir no Brasil. Muito pouco alardeava sobre sua posição religiosa. Não foi exclusivamente por isto, mas a sua opção religiosa era um assunto privado, que não interveio (talvez por omissão)  por meio de seu poder de estadista em tema que era e é da sociedade. E se o poderoso e carrancudo Geisel fosse católico? Bem, aí há panos para as mangas dos especulativos. De qualquer forma foi bom para a sociedade brasileira descolar-se da igreja, que não tem nada a ver com casamento.E com muitas outras realidades, é o que espero que aconteça, e em breve.

Deus: aprecie com moderação (parte 2)

Alanis

Digamos que você me contrate para tomar conta da sua casa por uma tarde. Isso. Você vai precisar sair e me chama para ficar na sua casa; um adulto responsável pela segurança do seu imóvel e dos seus filhos pequenos.

Então, antes de sair, você me chama num canto e passa duas horas me inteirando das minhas obrigações e responsabilidades; recomendando o máximo de cuidado com os seus dois filhinhos, para que não se machuquem, não bebam veneno, essas coisas; enfim, você me pagou para tomar conta de tudo, mas, mesmo assim, sente-se na obrigação de quase me implorar para que eu faça o meu serviço direito. Afinal, é a sua casa e a sua família que você está deixando nas minhas mãos.

Você volta, à noite, e qual não é a sua surpresa ao me encontrar no bar da esquina bebendo despreocupadamente!

– Seu Barros! E minha casa? E minha família?

– Ah, deve tá  lá no mesmo canto. Eu não movi do lugar. Seus filhos devem estar dentro dela, eu acho.

Você corre para casa e descobre que a sua filhinha de 5 anos e seu garotão de 2 sumiram; sai correndo desesperado pelas ruas próximas até ser informado de que está circulando entre os moradores a notícia de que uma garotinha foi encontrada morta a algumas ruas dali. Você vai até lá e encontra seu filho de dois anos chorando nos braços de uma senhora e, mais à frente, vislumbra o corpinho despido de sua filha, jogado às margens de um córrego imundo onde todo o esgoto do bairro é despejado.

Você se aproxima. À luz da lua, a pele alva da sua criança fere a sua visão pelo contraste macabro com toda a imundície em volta. Os longos cabelos loiros dela estão empapados de lama fétida. A sua cabecinha, descansando no lixo encalhado, está voltada na sua direção e você se contorce ao perceber que o seu rostinho infantil está deformado pelos socos que a mataram. Sua filhinha de 5 anos foi estuprada e espancada até à morte por um bandido que invadiu sua casa desprotegida. Mas você não é esse irresponsável. Você jamais deixaria a sua amada família entregue à própria sorte. Você lembra que havia deixado alguém tomando conta…

– Barros!

Você volta correndo com seu filho nos braços e me encontra ainda no barzinho da esquina, bebendo tranquilamente. Você me entrega seu filho e me pede para ficar tomando conta dele, e da sua casa, pois precisa voltar para o local do crime, cuidar do corpo da sua filha, dar depoimento à polícia, esse tipo de coisa. Você passa uns bons trinta minutos me recomendando seu filho, me exortando a protegê-lo de todo perigo, e me pedindo para cuidar bem da sua casa. De novo.

E volta para a rua, para a sua triste missão de pegar nos braços o corpo frio de sua filha morta, certo de que eu sou a pessoa ideal em quem confiar numa hora dessas…

Claro que você, de forma alguma, agiria assim. Seria uma atitude imbecil demais até para o mais imbecil de nós. Não é nem uma questão de inteligência; é só uma questão de não ser um completo retardado mental. Se você não fosse esse retardado, tomaria outras providências.

Mas é justamente essa atitude que o crente toma quando se trata de Deus. Eu vi uma entrevista na tevê de alguém da família da pequena Alanis dizendo que “contava com a justiça dos homens, mas confiava mais na justiça divina”. A mesma justiça divina que “julgou” ser melhor o onisciente, onipresente e todo-poderoso Deus não interferir enquanto um animal apartava uma criança da sua família, a estuprava e a golpeava repetidas vezes até matá-la.

” — Deus, o senhor não protegeu nossa filhinha, mas confiamos em ti para nos confortar e punir o autor do crime com o Inferno.”

Isso mesmo: o que você, dois parágrafos atrás, concordou comigo ser uma imbecilidade infinita, continua sendo uma imbecilidade infinita, só que com outro nome: fé.


NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA: PARTE1

Há atualmente um número substancial de cristãos que se acham presos a uma luta frenética e neurótica a fim de conseguirem se apropriar plenamente da graça e do poder de Deus para suas vidas. Estes indivíduos tentam exaustivamente “entregar suas vidas”, “mortificar a carne” e “dar o controle total a Cristo”. Não questionando a sinceridade da fé destes crentes, pode-se observar que estes cristãos freqüentemente ficam paralisados e imobilizados em sua luta pragmática a fim de “morrer para que Cristo viva”. Cada decisão na vida real os lança numa dúvida infindável para saber se estão dando voz a seus próprios desejos e tendências humanos. A ansiedade que acompanha cada decisão pode ser medida em proporções clínicas. Os ministros que são inundados por pedidos de conselho, por parte destas pessoas, geralmente se sentem frustrados em seus esforços para reduzir o conflito apresentado.

Este fenômeno não dever ser desconhecido para a maioria dos cristãos. Quase todos os adeptos de uma fé evangélica experimentam esta luta até certo ponto e conhecem outros que parecem se encontrar aprisionados nesta situação, e sem esperança. Freqüentemente há uma tendência para se julgar os cristãos que se encontram nesta situação como inerentemente “nervosos”, “instáveis”ou, de alguma forma, “desequilibrados”. A proposição é que estes cristãos neuróticos são simplesmente indivíduos neuróticos que calham de ser cristãos. A tendência da Igreja é encorajar estas pessoas a orar mais, estudar mais as Escrituras, ou confiar na direção divina como meio de resolver seus conflitos. Este conselho, entretanto, pode servir para aumentar a ansiedade e a frustração destes crentes, desde que muitos deles já estão envolvidos nesta questão, e a extremos neuróticos.

Uma das explicações que expõe a etiologia desta condição da personalidade e da formação biológica do crente é ver esta síndrome como resultado da exposição a certos conceitos e crenças teológicas, que realmente induzem a este estado sintomático. A partir desta perspectiva pode-se discutir (argumentar) que estes cristãos neuróticos são neuróticos, antes em virtude de uma neurose induzida, do que por uma disposição inerente para a instabilidade emocional. Este artigo propõe que a indução a este estado neurótico pode ocorrer como resultado da clássica situação de “duplo vínculo”, que é criada quando certas crenças teológicas se combinam dentro do contexto da vida ou morte eternas em relação a Deus. Uma cuidadosa descrição da situação a que chamamos de “duplo vínculo” será feita, para que se possa estabelecer uma base teórica a fim de que se possa entender a “neurose cristã induzida”.

NEUROSE INDUZIDA

A indução de uma condição “neurótica”em uma pessoa normal foi descrita primeiramente por Pavlov (1932). Pavlov condicionou um cão a diferenciar entre um círculo e uma elipse. Ele começou apresentando ao animal o estímulo do círculo e imediatamente o alimentando. Quando esta resposta estava bem estabelecida, Pavlov apresentou o segundo estímulo, que consistia numa elipse com semi-eixos, na proporção de 2:1. A apresentação da elipse não era seguida por nenhum reforço; de forma que o cão aprendeu rapidamente a diferenciar entre os dois estímulos. Pavlov começou, então, a alterar a forma da elipse, de maneira a torná-la progressivamente mais circular (a proporção dos semi-eixos foi aumentada para 3:2, 4:3 e assim por diante). Quando a proporção chegou finalmente a 9:8, o cão começou a ter extrema dificuldade em fazer a distinção correta. O mais significativo nesta fase da experimentação, entretanto, era a mudança de comportamento que acompanhava a inabilidade do cão em responder corretamente.

O cão, até então, quieto, começou a ladrar, mexia-se sem parar, mordeu e dilacerou os instrumentos para a estimulação mecânica da pele, e avançou nos canos que faziam a ligação entre o quarto do animal e o lugar do observador – um comportamento não observado antes. Tendo sido levado para dentro do quarto de experiência o cão latia violentamente. (Pavlov, 1927 – págs. 290-291).

Pavlov usou o termo “neurose experimental” para descrever o comportamento que ele próprio induzira. Este importantíssimo estudo demonstra dramaticamente que uma condição neurótica pode ser estabelecida numa pessoa “normal”, quando essa pessoa é colocada numa situação altamente ambígua, na qual a descriminação apropriada se torna impossível. A neurose experimental foi realmente uma resposta aprendida e, como tal, sugeriu uma explicação alternativa à teoria psicanalítica da neurose, que precedeu a pesquisa de Pavlov.

Desde este estudo inicial, muitos pesquisadores demonstraram que as neuroses podem ser produzidas artificialmente, em animais ou seres humanos, por procedimentos experimentais. Russell (1950) apresentou uma revisão detalhada destes estudos e Wolpe (1952) deu continuidade à discussão de algumas conseqüências das neuroses induzidas experimentalmente. Do0is pontos chaves emergem do conjunto de pesquisas que são essenciais ao propósito deste artigo: (a) É claro que uma condição neurótica ou padrão de comportamento podem ser induzidos num ser normal através da manipulação ambiental; e (b) uma das maneiras pelas quais uma neurose experimental pode ser induzida é colocar o paciente numa situação tão ambígua que a discriminação de uma resposta correta ou apropriada se torna impossível. O cão de Pavlov imobilizou-se por sua inabilidade em responder corretamente, baseado num conceito ambiental altamente confuso. Os seres humanos não são imunes a um padrão de ansiedade semelhante e quando são expostos a situações de igual ambigüidade e opções impossíveis para responder.

Deus: aprecie com moderação (parte 1)

“Então,  pai,  DEUS  estava  no  banheiro.  Cagando.”

Como eu mencionei em  O Deus que não estava lá, a barbárie que me inspirou a escrever aquela série de textos se repetiu. E  me inspirou, também, a ter várias conversas com meu pai sobre Deus, Bíblia e religião. A última que tivemos terminou com essa minha “pérola” acima, quando meu pai argumentou que Deus “protege seus filhos do mal”.

Essa minha atitude para com meu pai só veio confirmar que eu mudei radicalmente a minha maneira de lidar com o assunto. Independentemente de quem o aborde, de quem o traga a mim. Como eu também já disse: chega de ser educado.

Quer fumar um maço de cigarros por dia? quer injetar cocaína na corrente sanguínea? quer transar sem camisinha? quer beber e dirigir? quer acreditar em Deus? Pois foda-se sozinho! Se vier querer me viciar na sua droga, se vier com a lenga-lenga imbecil de que há um Deus que criou tudo e que atende às suas preces, vai ouvir o que não quer.

A pequena Alanis foi estuprada e espancada até à morte, depois de ter sido levada da porta de uma igreja católica, quando seus pais desviaram os olhos dela por um momento apenas enquanto abraçavam outros fiéis “dando a Paz de Cristo”. Cristo não protegeu a filha deles.

Como eu disse a meu pai: Deus devia estar cagando.


Alanis Maria Laurindo de Oliveira

Cristo Morto, escultura em madeira feita por índios GUARANI, no séc.XVII, na redução São Miguel Arcanjo. Rio Grande do Sul - BRASIL

Quem jura lealdade absoluta a uma doutrina ou ponto de vista específico inevitavelmente fecha os olhos para todo o resto e, deste modo, a imparcialidade torna-se algo impossível.

Homens comprometidos com um ponto de vista perdem sua liberdade de pensamento, tornam-se incapazes de enxergar a realidade senão através de uma ótica parcial e pessoal, e assim tudo passa a dividir-se em dois grupos:

os que, como eles, sabem da verdade, e os outros, que estão todos errados e perdidos.

Sem dúvida, uma atitude lamentável, pois qualquer pessoa razoavelmente esclarecida sabe que o uso da convicção – ou da fé – como único critério da verdade fatalmente conduz a uma completa falta de imparcialidade que cega e tolhe a visão de mundo.

No que concerne à origem de tais preconceitos, é impossível saber exatamente o que acontece na mente religiosa, mas temho uma analogia sempre em mente! que é bastante razoável ,vou explicá-la.

Digamos que, na perspectiva religiosa, um indivíduo declarar-se ateu talvez seja algo tão chocante quanto um filho querido e bem cuidado que afirma não amar seus pais. Algo como dizer:

‘’ Que importa se eles me amam? Que importa se eles me geraram, me alimentaram e me educaram? Fizeram-no porque quiseram; não obriguei ninguém a isso e, portanto, não devo gratidão alguma’’.

Para a maioria das pessoas, certamente é chocante; vem à  mente a imediata impressão de que tal pessoa é insensível e cínica, sendo difícil imaginar que ela é feliz e mentalmente sadia. Mas, sem dúvida, temos de admitir que as palavras dessa pessoa fazem sentido, e são estritamente racionais (!!!!!)

O fato é que nós todos temos preconceitos, e acharmos que todos devem amar cegamente seus pais apenas porque foram bondosos e cuidaram bem de nós * é  só mais um deles.

Provavelmente, isso está enraizado em instintos; mesmo assim, em nível objetivo, continua sendo um preconceito. Esse é um bom exemplo para demonstrar que as crenças arraigadas por motivos emocionais parecem possuir uma curiosa imunidade à crítica racional. Portanto, supondo-se que as crenças religiosas fundamentam-se em fatores emocionais, isso explicaria por que afirmar que “não amamos nosso criador” pode soar algo muito forte aos religiosos, desembocando fatalmente em preconceitos de todo tipo.

Percebendo que não podem estereotipar os ateus moralmente ou filosoficamente, os críticos do ateísmo partem para outra tática.

Deslocam-se para o campo da prática e afirmam que a descrença é negativismo puro; que destrói, mas não reconstrói; que deixa um vazio na vida das pessoas; que é inútil. Mas essa argumentação é claramente tendenciosa, pois tenta depreciar a posição ateísta contrapondo-a de modo distorcido ao teísmo. Se o ateísmo não é um conjunto de valores, se não é uma explicação e nem um guia para a vida das pessoas, por que ele haveria de ser útil nesses aspectos?

Não há o menor sentido em fazer tal comparação.                    O ateísmo não é uma alternativa para o teísmo e nunca pretendeu ser. Todavia, naturalmente, sem dogmas a serem seguidos, inevitavelmente recai sobre nossos próprios ombros a tarefa de escolher e julgar os valores, isto é, de nos posicionarmos individualmente frente ao mundo em que vivemos. Mas essa tarefa deve ser entendida em termos de liberdade de escolha, não de vazio existencial; tal liberdade pode gerar angústia, é claro, mas isso não vem ao caso neste ponto da argumentação.

O ateísmo, ao contrário do que alguns fazem parecer, não é a maldição da vida sem sentido, mas a maldição de precisar escolher um sentido.

Enfim, é difícil imaginar o que poderia haver de ruim e negativo no fato de que cada um é livre para criar suas próprias regras e perseguir seus próprios objetivos, em vez de ser obrigado a seguir as regras e os objetivos de outrem.


Bibliografias Pesquisadas:
“Deus Não é Grande”, do jornalista Christopher Hitchens
“Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins.

Série Sagrado

Desde outubro de 2009 tem sido exibido pelas manhãs na rede Globo de televisão a série Sagrado, que busca trazer a cada semana um tema e a cada dia da semana um representante de uma determinada religião para tratar o tema semanal.

Como estou me preparando para ir trabalhar no momento em que a série é exibida, as vezes assisto a alguns episódios, e pretendo assistir a todos agora pela web.

Para nós que gostamos de estar bem informados a respeito do tema religião, vale a pena conferir.

[de férias...]

Os olhos que enxergam Deus são cegos à verdadeira beleza


O extraordinário existe?

Nosso desejo em acreditar no extraordinário é tão grande que nossa ingenuidade é exposta por pouca coisa. Para provar isso, o mágico James Randi montou um grupo de mágicos e os enviou para testar os cientistas do Laboratório MacDonald de Pesquisa Psíquica. Expôs-se uma incrível fragilidade dos cientistas.
Durante três anos, Steve Banacheck enganou os cientistas sem grandes dificuldades. Você deve tê-lo visto no Fantástico há uns 20 anos dirigindo um carro de olhos vendados e movendo um rolinho com o “poder” da sua mente, lembra-se? Solicitaram a ele para tentar afetar a câmara de vídeo e ele fez, dois clarões apareceram, porém o que ele fez foi desligar e ligar a câmara rapidamente sem que ninguém visse. Se os mágicos enganaram os cientistas, que deveriam ser preparados, imaginem o que acontece conosco.
Ian Rowland é especialista em repetir os feitos dos paranormais, como adivinhar um desenho que é oculto (é uma técnica de mágico), dobrar colheres (que não passa de ilusão de ótica, o modo de segurar a colher). Engana a todos sem exceção.
Também há uns 20 anos, apareceu um psíquico chamado James Ridrick que tinha uma grande capacidade de mover objetos a distância, apareceu também no Fantástico. Coube ao mágico Danny Koren desmascará-lo: Ridrick apenas exalava um forte sopro sem demonstrar nos lábios ou nas faces.
O professor de psicologia da Universidade de Oregon, Dr. Ray Haymond apresentou-se numa emissora de rádio como um adivinho e obteve nota dez. Utilizou apenas leitura fria. Somente conversando com os ouvintes por telefone.
Por isso, como vimos em diversos artigos já publicados, você deve duvidar e desacreditar tudo o que se refere a: fantasmas, gnomos, demônios, anjos, espíritos, astrologia, aura, tarô, telepatia, premonição, videntes, sorte, pé de coelho, ferradura, arruda, mau-olhado, bruxaria, “trabalhos”, pirâmides, cristais, numerologia, biorritmo e discos voadores. Tudo isso é improvável! É excelente apenas para a ficção.
Lembre-se também que todos nós podemos ter alucinações. Elas podem aparecer sob estresse emocional, ataques epiléticos, enxaqueca, febre alta, jejum, privação de sono, isolamento e drogas alucinógenas. Algumas religiões utilizam-se de jejum e outras de chás especiais para entrar em contato com as entidades do “plano espiritual”.
Nunca, jamais acredite em relatos pessoais, não são prova! Se alguém alega ver ou ouvir entidades irreais, creia: esse infeliz está tendo alucinações. Isso é apenas um fenômeno humano, não espiritual. E, mais importante, não permita que um desajustado emocionalmente torne-se seu guia.
Eu sei que o papo deles é bom: seu sofrimento é Carma (do sânscrito karmam, ações e conseqüências), é encosto de espírito baixo, é possessão demoníaca, é azar… É nada! Colhe-se o que se planta! E estamos sujeitos às probabilidades dos acidentes, nada mais. Trabalhe, seja simpático, humilde, paciente, perseverante… E verá como só lhe “encosta” sorte, anjo da guarda, Deus…
Não acredite em milagres, se existissem, as pessoas religiosas viveriam muitos anos, suas crianças não morreriam aos montes, não haveria dor. E nós sabemos que foi graças ao desenvolvimento da ciência que esses males humanos estão desaparecendo. Entendeu: graças à Ciência! À Ciência! Ok?
Então, comporte-se como um sábio, alguém de ciência. Procure pelas novidades no campo da psicologia, medicina e, mesmo, religião (séria e com gente bem estudada). Isso e somente isso o tornará uma pessa melhor e mais feliz. E abandone de vez tudo e todos que afirmam existir o extraordinário, o fantástico, a solução para todos os problemas. Esse tipo de coisa cria novos problemas e não resolve nada.

Julgamentos Morais? ou Imorais? ? ? ?

A grande frequência com que se tenta corroborar ou refutar o ateísmo através de julgamentos e valores morais apenas demonstra uma lamentável leviandade (ex: “ateus também fazem caridades” ou “muitos ateus são criminosos”).

É claro que, se desejarem, alguns ateus podem ser bondosos, compassivos, solidários etc. Talvez devido ao fato de a maioria dos religiosos se identificar com esse tipo de moral sua típica ojeriza à palavra ateu possa ser um pouco amenizada; todavia, pretender que a bondade tenha, em si mesma, algum valor, que ofereça qualquer verossimilhança à posição, é, no mínimo, um absurdo.

O mais “dogmático” dos ateísmos ainda não passa de uma mera negação (“Deus não existe”, afirmativamente). Sendo assim, assumir um posicionamento ateísta remete-nos a um plano muito mais fundamental, muito mais abrangente.

Em outras palavras, além de ser independente da moral, o ateísmo a precede em profundidade filosófica; ou seja, na melhor das hipóteses, somente será possível deduzir, individualmente, valores a partir do ateísmo, mas nunca o ateísmo a partir dos valores. Daí a impossibilidade de a bondade, por exemplo, servir de respaldo a ele; e o mesmo vale para objeções ao ateísmo baseadas em delitos cometidos por indivíduos ateus.

Há também uma grande tendência de se querer vincular a responsabilidade das ações à visão de mundo do indivíduo, e tal tendência está ligada à ideia de que esta vem sempre carregada de valores e deveres; nesse caso, também vinculada ao mal-entendido de que o ateísmo é uma crença positiva.

Por exemplo, se um cristão faz caridade em nome de Deus e usa a Bíblia para justificar tal feito, então se pode dizer que o cristianismo é, em certo grau, responsável por tal ação. Isso porque toda religião tem seus dogmas, suas verdades, seus princípios superiores, em suma, seu tu deves. Portanto, ela define o que é o bem e o que é o mal, o que é certo e o que é errado, e assim por diante. Diferentemente, o ateísmo encontra-se alheio a todo esse rebuliço de valores que os humanos cultivam. Se um ateu faz algo bom ou mau, isso não se deve ao ateísmo, pois o ateísmo não diz coisa alguma a respeito do que devemos ou não fazer. O ateísmo não diz o que é o bem nem o que é o mal, muito menos o que é certo ou errado. Ele não arrasta consigo nenhuma espécie de valor, e é por isso que não se pode atribuir-lhe qualquer tipo de culpa ou responsabilidade. Tudo recai tão-somente sobre os ombros do arbítrio individual, não sendo possível qualquer espécie de generalização da causa de seu ato que venha a abarcar o ateísmo.

Por isso, todo ateu que defende valores morais específicos – mesmo se forem de benevolência e de caridade – sem deixar claro que isso não tem qualquer relação com sua descrença, estará, sem perceber, prestando um grande desserviço aos ateus. Talvez a intenção seja boa, isto é, pense que com isso está revertendo o estereótipo negativo que tipicamente se tem dos ateus – de que são todos pervertidos, frustrados, imorais, insensíveis, criminosos. O problema, naturalmente, reside no fato de que esse contra-ataque pressupõe a falsa ideia de que o ateísmo deve se defender de acusações morais, e isso só termina por gerar mais confusão ainda. A personalidade dos ateus não tem qualquer relação direta com o ateísmo. Todos esses estereótipos sociais sobre como os ateus são não passam de preconceito, fantasia, pois, o ateísmo não é capaz de justificar nada disso. O fato de algum ateu ser altruísta ou egoísta, bondoso ou maldoso, compassivo ou cruel é apenas reflexo de seu temperamento e dos valores adotados pelo indivíduo em particular.                                                                        Não delinear essa distinção entre o ateísmo e a moral faz com que as pessoas pouco aprofundadas no assunto se acostumem a encarar os padrões comportamentais dos indivíduos descrentes como uma consequência de seu ateísmo; ou seja, do mesmo modo que os ateus caridosos darão uma boa imagem ao ateísmo, os ateus criminosos irão macular e infamar sua imagem.

Além de isso dar luz a diversos e indesejáveis estereótipos, estes ainda ocultam a verdadeira face do ateísmo, a neutralidade.

O Diabo desabafa: “-Deus ordena e eu quem sou culpado!”

I

 Aqui deus veio se queixar

Com mágoas, pra redenção

Eu também tenho a intenção

de injustiças, informar

Fui criado pra torturar

as almas do deus “doente”

que resulta injustamente

minha Sina de “amargura”

pois sou apenas criatura

cumpro o que deus tem na mente

 

 II

 Como posso atrair

O Mal na totalidade

Pois, a qualquer fatalidade

esta, me fazem assumir

é fato  a  me redimir

todo o mal que ofertarem

é culpa de deus, se tirarem

seus méritos e a competência

porque tem toda a ingerência

dos fatos que imaginarem

 

III

 Sou do “Supremo”, a criação

do deus que mantém a vida

que a mim se faz merecida

os destinos da “expiação”

mas é uma enganação

aludir-me toda a culpa

se Ele me deu a labuta

de agir sem comedimento,

e as “pragas” do juramento

é seu livro, que imputa

 

 IV

 Deus, que é muito “carente”

e muito se contradiz

adora ser o aprendiz

de brincar com toda a “gente”

arrepender-se é recorrente!

Toma atitude “ferina”

Nem o certo agir, Ele ensina

Quer o “produto acabado”

Mas dúvida é seu legado

Ações amargas, sua “sina”

 

 V

 Tenho uma reclamação

A este “blog” ofertar

Quando estava a trabalhar

No inferno da “danação”

Alguns “diabos” em profusão

Flagrei-os rindo em demasia

E a “produção” , só caía

Pararam as “atividades”

Torturas e “atrocidades”

Nem dor, grito mais se ouvia!

 

 VI

 Fiquei com medo “danado”

Se o céu soubesse daquilo

Tremi, pois conheço o estilo

Do deus quando ignorado

Impõe-nos a ser amado

Condena a desobediência

Não age com benevolência

É a “pandora”, entrar em ação

Não tem qualquer compaixão

Puro mal em “efervescência”

 

 VII

 O Deus não possui critério

então  seus “alienados”

podem ficar preocupados!

Com raiva do seu “império”

Pois nada do seu “mistério”

Faz do reino, meritório

Sem proteção, é notório!

Nenhum crédulo, salvo está

Do acaso que faz ceifar

A vida do crente, “inglório”

 

VIII

 Aqui já foi discutido

sobre a moral de “Jesus”

que às vezes, nada conduz

nem se este foi nascido

se menção, tem merecido

ou se foi mais um coitado

enganado,morto, crucificado

por doença do deus “pai”

e só algo se extrai

um deus, sendo detestado!

 

 IX

 Os crentes, que aqui visitam

só adoram o deus cristão

sempre perdendo a razão

se minha referência, ditam

não sou como acreditam!

Sou fiel ao “poderoso”

Cumpro o papel de “tinhoso”

Somos feito da  vontade

De deus e com propriedade!

Pra Ele, sou feito “honroso”

 

Assinado: o diabo, demo, injustiçado

Defina Deus

Segundo a minha experiência como cristão,

Deus é o único ser supremo, criador e mantenedor do universo. É todo-poderoso, onipresente, onisciênte e onipotênte. Pai de Jesus Cristo, seu único filho, e de todos nós que aceitamos Jesus como o único caminho para a salvação. Sua existência é perpétua, para antes e depois da criação do Universo. É proprietário das vidas e almas humanas, assim como de tudo mais que exista. Realizará num futuro ainda incerto, mas tido como próximo, o julgamento de nossas almas, com base nas nossas atitudes e também na nossa servidão a ele enquanto em vida. O resultado de tal julgamento será a nossa condenação ao Inferno ou a nossa entrada no Paraíso. É também um referencial para a perfeição e a moralidade, se ele assim o faz, é porque é o melhor e o correto a ser feito. Também são considerados fidedignos todos os relatos bíblicos a seu respeito, sendo aqueles contidos nos livros de Gênesis, Apocalipse e nos quatro evangelhos de Jesus Cristo os mais relevantes.

Hoje como ateu adoto uma definição um tanto distinta desta, no entanto acredito ser esta a que a maioria dos cristãos assume. Ao menos é isso o que percebo do que ouço deles e é também a definição que eu adotava quando era cristão.

Portanto, cristãos aqui do blog.

Há algo a acrescentar, corrigir ou remover? Ou podemos concordar que o deus que vocês cultuam é mesmo este que descrevo?

http://despindomitos.blogspot.com

I’ll be back !

Estou com alguns assuntos fermentando dentro da minha cabeça, mas ainda não estão, nem de longe, com um corpo suficientemente definido para que eu possa iniciar uma nova série de textos. Voltarei a publicar as séries, tão logo as apronte.

Pretendo escrever novamente sobre a desonestidade intelectual indispensável para manter a fé em Deus (ou qualquer outro deus); sobre por que sou contra a posição agnóstica do “se não pode ser provado nem que sim nem que não, então não me meto”; sobre a morte, a razão principal dos cultos a divindades diversas estarem tão arraigados à cultura humana; e sobre a minha mudança de posição em relação aos religiosos e suas crenças ridículas: chega de respeito descabido, chega de se calar para não “ofender”  parentes, amigos, conhecidos ou desconhecidos, chega de ouvir asneiras com um sorriso amarelo na cara, chega de ser “educado”.

Hasta la vista, baby.

Farsa evangélica

A fé é um sentimento de crença mística tão poderoso que durante milênios tem sido manipulado por indivíduos inescrupulosos para a garantia de um poder sem limites, de uma vida de vaidade e luxúria.

Ontem lí a notícia da condenação do casal fundador da igreja evangélica Renascer em Cristo que foi fulminada pela justiça norte-americana por evasão de divisas e estelionato, sendo que essas figuras ainda respondem por vários outros crimes em diversos países.

Mas os donos da Renascer em Cristo não estão sozinhos nisso: muitos outros pastores e ministros evangélicos respondem cível e criminalmente por diversos delitos que vai desde discriminação racial, homofobia, pedofilia, até sonegação fiscal e homicídio qualificado.

Mansão do Bispo Edir Macedo da Igreja Universal do Reino de DeusEsses criminosos são os mesmos que aparecem bancando os senhores da moral e dos bons costumes em púlpitos espalhados pelo mundo todo, de bíblia em punho e aos gritos de ‘em o nome do senhor Jesus’, se apoderando da fé de seus semelhantes para, reduzindo-os a uma espécie de macaquinhos de circo, extorquir-lhes até o último centavo – dinheiro que eles dizem ser usado ‘para a maior glória do senhor’ e que na verdade serve para cobrir os custos do motel, da mesada da amante prostituta (ou do garoto de programa), dos carros importados, dos iates, das viagens dos filhos para o exterior, dos empregados da mansão, da cirurgia plástica no nariz da patroa e do instituto de beleza do Totó cujo banho e tosa custam 500,00 por semana.

Nas mãos dos pastores e ministros evangélicos, o dízimo torna-se uma verdadeira arma de extorsão, que se opera pela via psíquica dos adeptos os quais são na maioria pessoas de baixa instrução e autoestima, carentes de caráter, cultura e personalidade – ou seja, pessoas moralmente fracas – que realmente acreditam que o deus verdadeiro, aquele de quem o pastor fala com lágrimas nos olhos, vai lhe amar na medida da sua contribuição, isto é, se contribuir com muito, deus lhe amará muito; se contribuir com pouco, deus lhe amará pouco e se contribuir com nada… bom, nesse caso, como frisa o pastor R.R.Soares da Igreja da Graça de Deus, o fiel será considerado um ladrão!

Hipócrates

Hipócrates, nascido por volta de 460 a.C., considerado um dos pais da medicina, em sua época já compreendia a tendência humana de mistificar aquilo que lhe é desconhecido; ele disse o seguinte: os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.

Sejamos honestos quanto a nós mesmos: somos seres complexos, capazes de empreendimentos notáveis, mas também limitados, e não temos todas as respostas ao nosso alcance, pelo menos não atualmente. Portanto, quem não quiser se enganar através de fábulas explicativas e consoladoras, precisa aprender a conviver com tais limitações, pois a atitude de responder uma pergunta se valendo de um mistério, na realidade, não explica coisa alguma.

Isso, naturalmente, não significa fechar-se totalmente para outros pontos de vista.

Em nosso conhecimento, há – e deve haver – lugar para a dúvida, para a incerteza, pois deste modo nosso conhecimento não ficará cristalizado na forma de crenças impermeáveis às novas evidências que vierem a ser descobertas e às novas teorias que vierem a ser formuladas.

Se não aceitarmos que nossa visão de mundo é provisória, que sempre estará sujeita a revisões, ela se tornará obsoleta rapidamente. Então devemos conceder à hipótese da existência de um deus alguma plausibilidade? Certamente: a mesma que concederíamos a uma especulação bastante improvável que, há milênios, está à espera de evidências que a comprovem.


Agnosticismo


**Equivocadamente, costuma-se pensar que esta jaz no limiar da dúvida entre o teísmo e o ateísmo; na verdade, o agnosticismo é independente da questão da crença/descrença em um deus. Tal visão diz respeito somente à impossibilidade de a mente humana conceber, compreender ou julgar alguns tipos de questões, afirmando que tais assuntos estão além do escopo da racionalidade humana, sendo, portanto, impossível formular sobre eles qualquer juízo seguro.

É errado pensar no agnóstico como um indivíduo meio termo entre as duas perspectivas, ou seja, que não afirma nem nega a existência de uma entidade superior, supostamente representando uma posição de questionamento sensato em vez de um extremismo ateísta. O agnosticismo certamente não é uma terceira opção entre o teísmo e o ateísmo, e é fácil evidenciar o porquê. O agnosticismo envolve a crença em deus? Não. Envolve a descrença em deus? Não. Então que relação necessária tem com esta questão? Nenhuma. Como explicou George H. Smith, O termo “agnóstico”, em si mesmo, não indica se alguém acredita ou não num deus (…) agnosticismo não é uma posição independente ou um meio termo entre teísmo e ateísmo, pois classifica de acordo com um critério diferente.

A rigor, a palavra agnóstico significa apenas sem conhecimento, isto é, trata-se de um termo genérico que diz respeito somente à afirmação da impossibilidade de se obter conhecimento acerca de alguma coisa ou assunto qualquer. Então seria mais correto dizer algo como: este indivíduo – ateu ou teísta – é agnóstico em relação à questão da existência de deus ou de alguma “questão x” qualquer.

Portanto,  não existe um meio termo entre acreditar e não acreditar, ou seja, entre teísmo e ateísmo.

*** Afirmar “acho impossível saber com certeza” não é uma solução, mas uma evasiva. O que comporta um meio termo, na verdade, é a lacuna que fica entre a negação e a afirmação de deus, e tal lacuna corresponde ao ateísmo cético.

Essa noção de agnosticismo é uma posição errônea comumente adotada por aqueles que não são teístas, mas que na verdade não consideram a existência de deus uma hipótese absurdamente improvável, como alguns ateístas mais fervorosos. Mas, sem dúvida, os agnósticos desse tipo são, tecnicamente, ateus. Provavelmente muitos se denominam como tal porque têm receio do estigma social vinculado ao ateísmo, que é muito forte; então transferem o significado de suas posições a outros termos que soam mais brandos, como agnóstico – como convém, pois em cima do muro não caem tantas pedras.

Restrospecto positivo para os Ateus do DeusILusão!

Amigos,

Com 2009 já no final, devo afirmar que foi um ano bom. Para o Blog ”Deusilusão”, tivemos um incremento considerável de leitores, mais participação, oportunidade de conhecer pessoas interessantes, as mais variadas personalidades. Houve a libertação de alguns, das garras da religião, as pragas teístas nunca se efetivaram, tivemos a chance de expor várias idéias e dar espaço para os crentes explicarem suas ilusões. Junto com este rol de idiossincrasias, desde as mais estapafúrdias alucinações teístas, às explicações científicas, a contribuição nos transformou.

Antes, imaginava-me um “peixe fora d’água” diante da impregnação teísta. Por este veículo de exposição de idéias, percebi que pessoas, com quem nunca tive contato, pensavam de forma parecida, além do fomento das novas idéias em respostas às indagações latentes.

O fato de pensarmos assim, de forma racional, semelhante na essência, nos leva a conclusão de que se trata de algo com relevante valor. Nunca tive doutrinação ateista,  ninguém me incentivou a agir assim, mas minha mente ansiava por respostas, sedenta de explicações para questões contraditórias da religião. Assim, percebi a correspondência de entendimento entre pessoas, até então estranhas, mas que significavam uma tendência positiva de coerência racional.

Passei por inúmeras provações, que no final me tornaram bem mais ateu. Fui tentado com panfletagem, fui exorcizado algumas vezes, muitas pragas me mandaram, nem sei o quanto fui xingado, chamado de ímpio, demoníaco, anti-cristo, na roda de teístas fui considerado nocivo, excluído, agiram com preconceito, em detrimento de crente fui preterido, tive o carro também exorcizado, convidado a culto evangélico, e fui. Diante de tais ocorridos, percebi o quanto sou melhor sendo ateu.

Vale recordar o passado. Lembro da minha primeira decepção, quando adolescente, da incoerência divina. Eu que gosto de arte, admirava uma bela estátua, representativa de São Sebastião, de tamanho natural, de tão perfeita dava para sentir a dor que este “santo”  sentia. o Santo tinha a boca entraberta, testa franzida, e o corpo todo atravessado por flechas, o sangue a escorrer e amarrado num tronco. Eu perguntei à minha mãe o que aquele homem fez e ela respondeu  prontamente: -Serviu a deus! Era a mágica para crer, o medo, mas acabou sendo contraproducente, uma vez que achei que deus atirava flechas, ou fazia mal a pessoas boas. Sem contar o “apartheid” social que existia na casa de deus e a insensibilidade com os menos favorecidos, isto tudo me levou a questionar deus, já em tenra idade.

Hoje questiono com maior propriedade. Isso me torna mais feliz, mas livre. Faz-me lembrar de  um dia eu ter ido a um culto, a convite de uma amiga. Assisti a este espetáculo, que mais parecia um “show”: a cada cinco minutos uma música bem orquestrada, sem contar o coro de quatro vozes, parecendo uma ópera. Cheguei a me arrepiar,creiam! Tirando o show de música, o que se vê é pura enganação, desonestidade mesmo. A prima da minha amiga havia perdido a mãe, beata da igreja, mesmo com as orações em sua homenagem! Então oração não funciona?Pasmem! Na mesma hora que lia o prospecto de pedidos de intercessão, o pastor corrigiu dizendo: -Peço a deus para “fulana de tal” e para… – Esta, não.Esta veio a falecer ontem à noite! Crentes de todo mundo, será que não há espaço para questionar a qualidade das orações ou a má vontade de deus em curar? Para tornar a coisa engraçada, na hora que levantei foi justamente o momento que o pastor pediu para os “novatos” ficarem em pé. Eu levantei para ir embora e fui.Ficaram me olhando, admirados! he!he!

Deixando meus “causos” para depois, quero agradecer a todos a colaboração por me darem, em 2009,  mais subsídios contra as investidas religiosas, muitas vezes simplórias, infantis, enganadoras, falsamente científicas, paradoxais ou contraditórias. Fico até feliz por esta “força” dos crentes, por que até agora, nenhum deles conseguiu mostrar algo coerente, que indicasse a existência de deuses. Quanto mais falam, parecem se expor que não têm argumentos suficientes  para convencer uma criança. Então o ano foi vantajoso para nós! Deixamos os crentes de “calças curtas”, a titubear! A hesitação se deve à falta de sentido! A lógica passa distante da mente teísta.

Passado este ano, veremos quantas pessoas se revelam descrentes em mitos, ou que estão prestes a perder o medo de exercer seu ateísmo, sem a vergonha embutida. Já tive a oportunidade de ver isso ocorrer. Tomara que a humanidade caminhe para o lado da desmistificação, da efetiva aplicação da ciência ,do conhecimento. Estou otimista com o que vejo! De um 2009 feliz a um 2010 mais vibrante!

Feliz ano novo a todos

Jesus não faz mais tanto milagre assim!

- Você sabia que foram lá em Nazaré e acharam as ruinas da casa onde Jesus viveu? Tava tudo soterrado. Acharam cavando.

- Soterrado? Mas por que soterrado?

- Era muito antiga né? Acharam lá os alicerces, a fundação.

- Mas foi o tempo que soterrou tudo?  Tadin, ele era pobrezinho né? Morava num estábulo.

- Morava com José.

- Ele era pobrezinho mas era poderoso.

- Ele é poderoso.

- É. Mas antes ele fazia mais milagre. Hoje ele nem faz tanto milagre assim. Antes num tinha médico.

Não estou transcrevendo essa conversa que ouvi no cabeleireiro para fazer chacota da inocência dos interlocutores. São gente simples, aqui da periferia de BH, onde moro.

Mas achei que seria interessante postar a conversa aqui justamente por ver tamanha inocência. E um brotar de raciocínio crítico na última observação feita pelo Seu João.

Será que Jesus hoje não faz mais tantos milagres porque hoje estes não são mais tão necessários? Como supôs o Seu João?

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Feliz Mundo Novo !

CRENTES DO SUPEREGO

Você pergunta: O que é o superego?

De acordo com a Psicanálise o Superego faz parte do aparelho psíquico, de que ainda fazem parte o ego (eu) e o id (impulso).

O Superego representa a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, da religião, pela produção do “eu ideal”; isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

Ora, a maior parte dos crentes que vejo por aí, são discípulos do Superego. Daí precisarem tanto de pastores fortes e impositivos, de igrejas mandonas, de líderes férreos em suas decisões, e, sobretudo, daí também necessitarem de “grupo”, de “vigilância”, de clareza nos deveres, e de um Deus Big Brother: com olhos vendo tudo… E mandando para o “Paredão”.

Por isto, longe da “igreja” ou dos “irmãos”, dizem “desviar-se” da fé; ou, ainda, dizem que “não seguram a onda sozinhos”, a menos que haja uma raiz de censura latejando em suas mentes, ainda que seja o latejamento da culpa como dever de comportamento conforme os padrões do grupo ao qual a pessoa pertença.

Você vê isto através de exemplos simples:

1.    Pastores juntos e viajando… Ficam irreconhecíveis. Veja-se o que pagam no pay-per-view do hotel e se verá que o gasto é quase todo em filmes pornográficos, sem falar que soltam a franga muitas vezes, na prática;

2.    Crentes que vão viver em outros países. Em geral, até que achem uma “igreja”…; uma “igreja” como fiscal da conduta…; muitos se entregam a tudo quanto antes diziam “não” em suas cidades ou países;

3.    Os crentes que ficam zangados com a “igreja” ou com o “pastor”, na maioria das vezes se entregam a tudo quanto antes diziam ser ruim. E por que o fazem? A fim de se vingarem da “igreja” ou do “pastor” que lhe condicionaram “hipocritamente” o comportamento. Assim, incoerência de “pastor” praticada contra o crente do superego, em geral resulta em desvio da fé, posto que as pessoas não sejam crentes na consciência, por si mesmas, mas apenas em razão das vigilâncias do superego.

A carga moral e cultural que a “igreja” produz é, muitas vezes, confundida com CONSCIÊNCIA, embora nada tenha a ver com ela.

Os que sofrem em razão das transgressões cometidas contra o Superego, não têm ainda uma consciência, mas apenas um cabresto psicológico.

ÉPOCA: 7 mitos sobre Deus (fim)

Para a autora de The Case for God, traduzido na matéria por “Uma defesa para Deus”:

“Religiões nos ajudam a lidar com os aspectos da vida para os quais não existem respostas fáceis: a morte, a dor, o sofrimento, as injustiças da vida e as crueldades da natureza.”

Primeiro que a natureza não pratica nenhum tipo de “crueldade”. Para ser ainda mais preciso, a natureza nem mesmo “pratica” nada. Esse tipo de personificação anacrônica seguramente depõe contra a inteligência de quem a evoca.

Segundo: morte, dor, sofrimento e injustiças são inerentes à vida e é possível analisar e entender essas coisas de uma forma perfeitamente racional, sem recorrer a um sem-número de explicações infundadas elaboradas por pessoas que não tinham como saber mais sobre tais temas do que você mesmo sabe.

Na continuação da reportagem, são apresentados um católico, um muçulmano, um evangélico, um judeu e um budista, cada um respondendo a uma proposição. Na primeira, “Deus está morto”, o líder de uma comunidade islâmica afirma que “a crença em Deus é um acessório original de fábrica do ser humano”, o que me fez enviar um comentário sobre a matéria para o site de Época questionando se o representante da religião muçulmana não estaria se referindo a Alá, pois, até onde eu sei, Deus e Alá não são o mesmo deus. Enquanto a língua “oficial” de Alá é o árabe, a de Deus é o hebraico e o aramaico; Alá ditou o Corão de uma vez só para o seu único profeta Maomé, e Deus mandou um monte de gente, ao longo de uns dois mil anos, escrever sua Bíblia; Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto Alá é único; o paraíso de Alá, com suas 72 virgens para mártires, é bem mais quente e sensual do que o do deus cristão, que parece que não vai permitir sexo por lá, tornando qualquer apelo envolvendo virgens completamente sem sentido. Essas são as diferenças que o meu limitado conhecimento conseguiu reunir; talvez haja outras.

Mas a frase do mulçumano não é um exemplo de desonestidade intelectual explícita tão grande quanto a do representante católico, secretário-geral da CNBB, citando uma passagem de uma encíclica de João Paulo II: “Fé e razão são duas asas pelas quais o entendimento alça voos em busca da verdade”. Poderia haver uma comprovação maior de que a mente religiosa é essencialmente desonesta? Quem tem fé não busca nenhuma verdade, pois ter fé é justamente sustentar que algo em que se acredita sem nenhuma evidência, ou até mesmo com evidências em contrário, já é a verdade.

O autor da reportagem fecha a matéria com o que ele considera uma das mais belas e claras passagens do livro, em que a autora delimita os campos de atuação da fé e da ciência:

“A razão pode até nos curar do câncer, mas não nos ensina a agir ao receber seu diagnóstico nem nos ajuda a morrer em paz.”

Ok. Por isso eu devo esperar que um cristão que seja diagnosticado como portador de um câncer incurável receba a notícia de uma forma diferenciada, e viva seus últimos dias na Terra com a paz serena proporcionada pela “certeza” de que irá, muito em breve, desfrutar de uma outra vida muito melhor no Paraíso.

No mundo em que eu vivo, as coisas não são assim não.



ÉPOCA: 7 mitos sobre Deus (parte 1)

A revista Época dessa semana trás essa matéria de capa sobre o livro The Case for God, da escritora inglesa e ex-freira católica Karen Armstrong, que tem previsão para ser publicado no Brasil no fim do ano que vem.

Segundo o autor da matéria, o livro faz parte de uma nova onda que “tenta revidar os ataques do grupo de pensadores conhecido como ‘os novos ateus’” (referindo-se a Dawkins,  Hitchens e outros) e “faz o melhor contra-ataque às teses do grupo”:

“Como os fundamentalistas religiosos, eles [os ateus] infantilmente concebem Deus como um ser poderoso que os homens não conseguem enxergar.”

Essa citação é um exemplo mais do que contundente da desonestidade por trás da mente religiosa e essa ex-freira certamente vai tratar o assunto desse modo ao logo do livro: ela simples e descaradamente —  como se ninguém fosse notar — quer vender a ideia de que ateus “concebem Deus como um ser”. Se eu concebesse Deus como um ser, eu não seria ateu.

Mais à frente, o autor da reportagem parafraseia outro trecho do livro:

“Mas o avanço da ciência, a partir do Iluminismo, cerceou nossa mente e restringiu seu alcance a fatos empiricamente comprováveis.”

Nisso eu sou obrigado a concordar com a autora do livro. Uma mente inserida num universo onde existem bruxas, fantasmas, demônios, anjos, milagres e deuses, é uma mente que tem consciência de um universo bem maior do que aquele que a minha própria mente pode conceber. Isso é fato.

Eu não temo demônios, por exemplo, porque, no meu universo, eles não me afetam nem se mostram, logo, eu não tomo conhecimento deles. Mas, se há quem os tema por percebê-los, é óbvio que essa pessoa vive num universo um pouco mais abrangente do que o meu.

Felizmente, entretanto, as “criaturas” que habitam esse universo mais amplo parecem não ter livre acesso ao universo ateu, mais restrito. E isso, segundo a autora, tem um motivo, ou, antes, uma culpada: a ciência.

“A ciência suprimiu um dos ingredientes mais relevantes da fé: o mito, a capacidade humana de, por assim dizer, vislumbrar o inconcebível.”

Não sei se a tradução foi feita corretamente, mas a palavra “mito” parece ser um ligeiro deslize de honestidade no meio da argumentação desonesta da autora. Isso poria o deus cristão no mesmo nível do deus nórdico Odin e, certamente, não seria essa a intenção dela. E “vislumbrar o inconcebível” poderia ser facilmente entendido como “delirar”.


Análise de Texto (fim)

“Implico” com o evolucionismo (…) pela mesma razão que implico com a astrologia ou com o islã.

O Mats tem um mesmo motivo para “implicar” com uma teoria científica, com uma superstição milenar e com uma outra religião. Isso já seria suficiente para entender todos os outros comentários dele, baseados na lógica do “Eu estou certo e quem não pensar como eu está errado”.

É a lógica cristã compartilhada pelas principais religiões do mundo. A lógica sem lógica que envolve mundos encantados, mitos copiados, cobras falantes, versículos de um livro sagrado tomados ao pé da letra, reinterpretados ou simplesmente ignorados conforme a conveniência. A lógica que diz que Deus é o padrão absoluto de moral que permite ao cristão, e somente a ele, ter valores morais diferenciados; a lógica que diz que, sem o deus cristão, ninguém poderia dizer o que seria melhor: roubar ou fazer caridade.

Mats me fez acreditar que, se não acreditasse em Deus, ele, Mats, sairia por aí matando, roubando e estuprando crianças.

O Mats nunca me disse qual é a moral de Deus. Desisti de esperar, porque descobri que o Mats não sabe. Ou, talvez, apenas não queira pensar sobre isso, porque teme ser apresentado a um Deus com um senso moral bem inferior ao dele próprio.

O que seria uma autêntica DeusILUSÃO.


E  no  Dia  do  Juízo  Final…


Deus: Atenção, todo mundo! Calma! Acalmem-se!… Aê!! Façam silêncio! Atenção que eu quero… SILÊNCIO, PORRA!!!!!

Grilo:  crrri, crrrri, crrri, crrrri…

Deus: Seguinte: eu vou mandar todos os crentes baba-ovo pro Inferno e vou passar a eternidade discutindo filosofia e jogando banco imobiliário com os ateus. Acho que vai ser mais divertido.

Mats: Mas, Senhor Deus, Senhor dos Exércitos, Rei dos Reis, Criador de todas as co…

Deus: Fala logo, caralho!!!!!!

Mats: Mas é que… bem… eu… eu não entendo, Senhor… Como que o Senhor vai condenar os crentes e salvar os ateus, que o renegaram por toda a vida?

Deus: E quem te disse que eu te devo satisfação?

Mats: Mas, Senhor… na Bíblia está escrito que…

Deus: Mats, esqueça a Bíblia: eu mudei de ideia. Não foi você mesmo que disse que não via problema nisso?


Barros e o Natal

Deus, Papai Noel, Chupa-Cabras... Nunca gostei de mitos imbecis

Relatos Sinceros de um Profissional!

Cópia fidedigna do Original:

Por Ricardo Antônio de Oliveira Ramos

Publicado no Site Um deus na Minha Garagem, 15/12/2009 (http://deusnagaragem.ateus.net/)         André Díspore Cancian

 Devidos Créditos

Não há nada mais poderoso do que o medo da morte para demonstrar o lado místico religioso de uma pessoa, certo? Bem, às vezes não é assim. Num momento de pânico e desespero muitas vezes temos a oportunidade de observar aqueles que têm suas vidas “entregues” às mãos de um pseudo-salvador celestial, depositando todas as suas esperanças nos míseros homens, profissionais mortais e nada divinos.

Assim como um exemplar crente (apaixonado pela ideia cristã e seguidor cego dos “passos” daquele defunto de dois mil anos), que quando doente procura auxílio médico em um hospital qualquer, o passageiro crente de uma aeronave também se vê encostado contra a parede num momento de pane ou alguma emergência, tendo que voltar suas esperanças ao mísero mortal que detém os comandos à frente. Ainda que o desespero faça o crente evocar santos de todos os tipos e deuses milagrosos, seu crédito naquele momento angustiante pertence à conta do comandante. É natural sentir medo instintivo diante de uma situação de iminente tragédia. Mais natural ainda é confiar no profissional humano da área específica em que está ocorrendo o problema e dele esperar a resolução. Cômico é ver, após sanado o problema, diante do semblante de alívio de todos, para quem vão os créditos finais. O médico, o aviador, o bombeiro, o policial, até recebem um tímido “muito obrigado” ou “ele foi um ótimo profissional”, mas os grandes louros finais e os estupendos agradecimentos, que são transformados posteriormente em missas, cultos ou sessões de todos os tipos e por tempo indeterminado, vão para um ser imaginário. Se isso não fosse, no mínimo, curioso por sí, há ainda o peso enorme sobre os ombros dos que sabem a quem pertence os devidos créditos, porém são taxados de “hereges-mal-agradecidos”. O que se segue não foge do mencionado.

Novembro de 2000. O mundo já deveria ter acabado, mas por algum motivo, sabe-se lá por que, a profecia não se cumpriu. Mas ainda assim as pessoas estavam estranhas e apreensivas. Bom, a bordo de aviões a maioria das pessoas fica assim. A noite em Manaus estava negra, sem lua ou estrelas, e a chuva torrencial atormentava os passageiros mais medrosos, e durante o lento táxi da aeronave para a cabeceira da pista até se podiam ouvir alguns murmúrios característicos de rezas e orações. As pessoas estavam literalmente pedindo para que um ser celestial tomasse conta da enorme máquina de ferro (construída por nós, homens), durante o voo do Amazonas até o Distrito Federal. Seriam três horas angustiantes para os não simpatizantes das máquinas que voam, mas a distância os obrigava a aceitá-la. A decolagem, apesar de fortes turbulências devido ao mau tempo, transcorreu normalmente, como outras tantas, e conforme a aeronave foi ganhando altitude e ultrapassando a desagradável zona instável e adentrando num espetacular céu estrelado e ar calmo, as rezas e orações foram sendo substituídas por piadas, brincadeiras e até mesmo risadas extravagantes. Alguns substituíram o medo por um bom uísque, outros por uma leitura, e outros por um não tão profundo sono.

Uma hora e quinze minutos se passaram desde a decolagem na maior tranquilidade possível. A noite no topo das nuvens estava linda, e os flashes dos relâmpagos abaixo da aeronave lembravam um concerto de rock. Bom então. Meu copiloto, neste instante, me chama a atenção para os marcadores digitais de combustível da aeronave, revelando uma discrepância leve. Após alguns minutos, e realizando os procedimentos normais de teste, ficou constatada uma considerável perda de combustível da asa (tanque) esquerda. Feitos mais alguns testes chegamos à fatídica conclusão de se tratar de um vazamento grave. Cálculos e mais cálculos feitos pelo computador de bordo, e manualmente por nós, percebemos o pior: não haveria combustível suficiente para se atingir o destino. E o pior era que nossa alternativa naquele momento se encontrava bastante longe também. Os voos noturnos nesta rota, na selva, possuem severa restrição de alternativas. Depois de analisar a situação com bastante cautela, porém com rapidez, a decisão foi tomada. A opção seria prosseguir para o aeroporto de Cuiabá, uma vez que o vento estava a favor para aquele destino. Era muito provável que o combustível acabasse a uns cinco minutos da pista, mas tínhamos que tentar. Fiz o possível para minimizar o vazamento desconhecido do tanque esquerdo, transferindo o combustível daquela asa para a direita e reduzindo o consumo operacional ao máximo. Buscamos o nível de voo ideal para consumo mínimo e neste ponto os controladores de voo foram fantásticos. E, não bastasse toda a nossa tensão e apreensão, chegamos finalmente a hora desagradável de ter que comunicar os passageiros sobre a situação e a possível necessidade de realizar um perigosíssimo pouso forçado noturno sem visibilidade. Enquanto o copiloto monitorava o voo, transmiti aos passageiros nossa realidade. As dimensões da aeronave, um jato executivo de médio porte, permitiam que as pessoas ouvissem umas às outras, e se porta da cabine de comando estivesse aberta também seria possível interagir diretamente. A pedido dos passageiros, que de início se mostraram calmos, deixei a porta aberta para acompanharem os procedimentos. E assim foi até a parada da turbina esquerda…

A dez minutos do aeroporto de Cuiabá o combustível da asa esquerda findou de vez, e a alimentação do motor também. Havia a possibilidade de fazê-la funcionar novamente com a chamada “alimentação cruzada”, onde se ultiliza o combustível do tanque oposto. Mas, conhecendo bem a aeronave como eu conhecia, decidi ignorar tal procedimento, assim também como as indicações daquele “idiota” computador de bordo, e prossegui monomotor diretamente para a cabeceira da pista, que já estava totalmente liberada para nós. Os controladores já haviam dado prioridade máxima ao nosso pouso de emergência. Ha poucas milhas da cabeceira a turbina direita começou a falhar, e o pânico ficou geral e tomou proporções a ponto de eu ter que fechar e travar a porta da cabine de comando. Choros e rezas e pedidos desesperados para que eu “desse um jeito” na situação. Mas era justamente isso que eu estava fazendo há mais de uma hora. O copiloto comentou comigo que a tração falha daquele único motor remanescente não seria suficiente para alcançarmos a cabeceira da pista, e os bombeiros do aeródromo já estavam todos acionados esperando o pior. Respondi que ele não conhecia direito aquela “máquina voadora”, e quando o segundo motor já estava quase apagando eu manobrei bruscamente a aeronave, elevando consideravelmente a asa direita, e tivemos mais uns vinte segundos de tração, o suficiente para alcançarmos a pista. Um alívio para todos nós, especialmente para alguns passageiros que estavam passando tão mal que necessitaram de auxílio médico no solo.

Passados os procedimentos padrões exigidos pelos órgãos competentes aeroportuários, a aeronave foi para a manutenção e nós, os tripulantes, fomos para o hotel usufruir de merecido descanso. Aos passageiros foram disponibilizados hotel e outra aeronave para seguirem viagem para Brasília. Um dos passageiros, e um dos mais medrosos, era um influente redator de um dos jornais de maior circulação de Brasília, e numa coluna especial de domingo ele escreveu no final: “e após os minutos de sufoco que pareciam se estender por horas, e quando achávamos que estava tudo perdido, Deus colocou sua mão naquilo que era para ser uma tragédia e suavemente nos pôs no chão, como faz um pai ao pegar no colo um filho que cai de um muro”. Dois anos depois este jornalista faleceu vítima de um acidente rodoviário na chamada “sete curvas”, na estrada que liga as cidades de Brasília e Goiânia.

Dessa vez o muro era alto demais!

Então é Natal

Gosto do Natal. Toda essa tradição, enfeites, pinheirinhos, presentes, musicas típicas, papai noel pra todo lado, neve. Acho bonito. Completamente non-sense para um país tropical como o Brasil, mas bonito.

Todos aqui sabem o que se comemora, ou supostamente deveria-se comemorar, no Natal. Mas o fato é que atualmente o nosso Natal, brasileiro, está muito mais para uma espécie de Dia de Ação de Graças, que não existe aqui oficialmente, do que para um Natal. No Dia de Ação de Graças dos americanos, as famílias se reúnem, comem peru e festejam a amizade e a família, mais ou menos como fazemos aqui no nosso Natal. No Natal americano a coisa não é lá tão diferente, mas acredito que a religiosidade deles seja um pouco maior nessa data que a nossa.

O Natal do brasileiro, além de uma celebração à família e à amizade, é principalmente uma data comercial. Todo o encanto do Natal está voltado exclusivamente aos presentes. O suposto aniversário de Jesus, fica em segundo plano.

No entanto, é este, o suposto aniversário de Jesus, a verdadeira razão para o Natal. Sendo assim, que sentido faz o Natal para nós ateus? Mantém o carater comercial e de reunião familiar? Se torna um Dia de Ação de Graças sem conotação religiosa? Ou deve ser visto como um dia normal, um feriado não autêntico, sem nada a ser celebrado?

Claro que quem promove o Natal não dá a mínima para o que a minoria ateísta, ou de outras religiões, viria a pensar. Um exemplo disso são os flocos de neve que a WordPress colocou neste blog muito provavelmente sem nem mesmo nos comunicar.

Acredito que este ano será o primeiro em que o Natal passará completamente em branco pra mim. Não comprarei presentes a ninguém, não sentirei nada a se comemorar, e nem mesmo vejo mais sentido em se desejar Feliz Natal a alguém. Claro que minha família teísta ainda fará o pernil assado que já nos é tradicional. Talvez eu beba um gole de vinho, ou visite a casa de uns amigos. Mas este ano pela primeira vez me sinto realmente livre do Natal.

Feliz Ano Novo a Todos!

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